sábado, 30 de janeiro de 2010

De Olhos Fechados


Você já experimentou andar de olhos fechados? Lembro que quando criança fazia isso com alguma freqüência. Eu achava incrível a possibilidade de reconhecer o espaço inibindo a capacidade da visão e explorando os outros sentidos. Lembro que o temor era pequeno e capaz apenas de me divertir. Não havia grandes riscos. Nada seria mais perigoso que uma topada de leve ou derrubar algum vaso da sala. Naturalmente que a minha mãe não gostava dessa última possibilidade. Mas em algum momento aquilo tudo cansava. Aquele jogo exigia uma cautela constante e eu sabia que se abrisse os olhos – e podia fazê-lo assim que desejasse – tudo estaria lá, tal como deixei, e as possibilidades voltariam a ser mais práticas e confortáveis.


Já adulto, aprendi outro jogo, muito simples, mas que lembrava em quase tudo a brincadeira de criança. O mesmo se estabelece na relação de dois indivíduos: um condutor e um conduzido. O condutor comanda o ritmo e a direção da outra pessoa, levando-a aonde lhe parecer mais interessante, dentro de uma sala cheia de obstáculos. O conduzido permanece o tempo todo de olhos fechados, mas pode abri-los assim que desejar. No entanto, espera-se que o mesmo nunca abra seus olhos. Obviamente não se trata de uma disputa, mas sim de um exercício de cuidado e confiança.


No fim das contas, ambos os jogos lidam, basicamente, com o mesmo elemento: a fé. Trata-se de acreditar mesmo sem ver. É pisar sem exata referência prévia. É se permitir levar aonde não se sabe, sob risco constante, e acreditar que acabará ileso. É confiar. É esperar com bom ânimo.


Essa parece uma boa metáfora para a vida de todo aquele que caminha em fé, e nela respalda sua vida. A grande diferença é que, na vida, os riscos são enormes e o que está e jogo pode ser vital. Entretanto, a fé exige que feche os olhos aquele que já conhece o perigo, e que encontre descanso em confiar nAquele que o conduz.


Jeremias talvez dissesse: Desafortunado é o homem que deposita sua confiança em sua própria humanidade, fazendo dela a sua força.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A prática do Dízimo na Igreja - Origem

Embora as tradições judaicas impusessem a Israel a prática do dízimo, entre os cristãos dos primeiros séculos prevalecia a consciência de que o Evangelho havia levado à consumação as obrigações rituais e disciplinares da Lei de Moisés, colocando o definitivo em lugar do provisório.

Os pastores da igreja primitiva, portanto, não determinavam ao povo o pagamento do dízimo.
Todavia, a antiga literatura cristã registra exortações dirigidas pelas autoridades eclesiásticas ao fiéis, no sentido de oferecerem algo de seus haveres ou das primícias de suas colheitas aos ministros do Senhor e aos irmãos necessitados, a fim de os sustentar. Tais doações seriam espontâneas na fraternidade de Cristo e não em pesares previamente determinados.
Um dos principais testemunhos a respeito é o da Didaqué (60/90 d.C): “Todo verdadeiro profeta que quer estabelecer-se entre vós, é digno de seu alimento… Por isso tomarás primícias de todos os produtos da vindima e da eira dos bois e das ovelhas e darás aos profetas, pois estes são os vossos grandes sacerdotes. Se, porém, não tiverdes profetas, dai-o aos pobres…
Do mesmo modo, abrindo uma bilha de vinho ou de óleo, toma as primícias e dá-as aos profetas.
E toma as primícias do dinheiro, das vestes e de todas as pessoas e, segundo o teu juízo, dá-as conforme a lei
”. (c. XIII).
Note-se que no texto assim transcrito se trata de primícias e não de dízimo.

São Irineu (130-202 d.C) considerava o dízimo abolido; em seu lugar teria entrado o conselho evangélico de dar os bens aos pobres ( Adversus Haereses IV 13,3).
Outro documento importante, de normas eclesiásticas, a Didascália (250/300 d.C) , diz: “Reconhece ao bispo o direito de se alimentar do que a Igreja recebe, como faziam os levitas do Antigo Testamento, desde que o bispo tome o cuidado de prover a necessidade dos diáconos, das viúvas, dos órfãos, dos indigentes, dos estrangeiros” .

Todavia, dirigindo-se aos fiéis, o mesmo texto diz: “O Senhor vos libertou… para não estardes mais presos aos sacrifícios, às oferendas… e também aos dízimos, às primícias, às oblações, aos dons e aos presentes; outrora era absolutamente necessário dar essas coisas. Mas já não estais obrigados por tais determinações. Por isto, na medida em que o puderdes, terás o cuidado de dar”.

Como se vê, este texto tenciona ressalvar, de um lado, a liberdade dos cristãos em relação à Lei de Moisés e, de outro lado, a obrigação de justiça e caridade que lhes incumbe em relação aos ministros e ao próximo.

Descendo no decorrer do tempo, vai-se notando maior rigor nas exortações feitas em favor das contribuições dos fiéis.
Em 380, as Constituições Apostólicas, compiladas na Síria, mencionam o pagamento do dízimo (em seu sentido geral, provavelmente). Este era entregue ao bispo, o qual se encarregava da justa distribuição: serviria aos ministros do culto e aos irmãos indigentes.

A prática de contribuir para cobrir as necessidades da Igreja ia se difundindo no Ocidente. Havia, porém, exceções da parte dos contribuintes.

Em vista disto, os Concílios Católicos foram intervindo nesta circunstância. O Sínodo Regional de Tours (Gália), em 567, promulgou, por exemplo, a seguinte determinação: “ Instantemente exortamos os fiéis a que, seguindo o exemplo de Abraão, não hesitem em dar a Deus a décima parte de tudo aquilo que possuam, a fim de que não venha a cair na miséria aquele que, por ganância, se recuse a dar pequenas oferendas… Por conseguinte, se alguém quer chegar ao seio de Abraão, não contradiga o exemplo do Patriarca, e ofereça a sua esmola, preparando-se para reinar com Cristo”.

Esta é a primeira recomendação de dízimo feita pelos bispos, já não como pregadores ou doutores, mas como legisladores do princípios católicos. Contudo, note-se que não impuseram sanção aos transgressores. A justificativa apresentada pelo referido Concílio de Tours em favor dos dízimos, era a necessidade de expiar os pecados da população, sobre a qual pesavam guerras e calamidades.

Mais um passo foi dado no Concílio de Macon (Gália), em 585, determinando a excomunhão a quem se negasse a pagar sua contribuição (dízimos e ofertas) à comunidade eclesial. O dever moral torna-se também obrigação jurídica. A evolução se explica através das difíceis condições em que se achava o povo cristão (clero e fiéis) na Europa do séc. VI: as invasões bárbaras, a queda do Império Romano havia acarretado o caos e a insegurança entre as populações. Daí a necessidade de que os bispos exortassem com mais intensidade aos fiéis às contribuições.

A legislação das diversas províncias eclesiásticas nos séculos subseqüentes repetiu várias vezes a determinação do Concílio de Macon.

Dois séculos mais tarde, o poder cívil passou a apoiar a cobrança do dízimo, sob um edito do rei Carlos Magno (747-814), o que antes era apenas legislação eclesiástica, agora passava a ser uma sanção cívil. Com efeito, a lei capitular dita “de Heristal”, em 779, manda aos cidadãos franceses pagar o dízimo à Igreja, ficando o bispo encarregado de o administrar; os contraventores sofreriam a sanção imposta aos infratores das leis civis, ou seja, provavelmente a multa de 60 soldos.
Nos séculos seguintes, encontram-se numerosos documentos eclesiásticos e civis das diversas regiões da Europa que visam regulamentar a cobrança dos dízimos.

No século XVIII, o dízimo já havia caído no total desagrado dos fiéis cristãos. Com efeito, destinado a atender as paróquias e ao seu clero, os dízimos, em sua maior parte, iam beneficiar o alto clero e instituições estranhas ao serviço paroquial. Os grandes arrecadadores de dízimos eram prósperos (havia bispos e prelados diversos comandatários, ou seja, leigos que traziam títulos eclesiásticos quase exclusivamente para se beneficiar dos rendimentos respectivos), enquanto um grande número de presbíteros recebiam insuficientemente . Em suma, as quantias arrecadadas nos dízimos, não eram devidamente aplicadas aos fins estipulados, como o sustento as viúvas, órfãos e necessitados em geral ( Deuteronômio 26.12).

Voltaire(1694-1778) e outros filósofos pretendiam demonstrar que o dízimo não era mais necessário. Os magistrados, o baixo clero e os agricultores não suportavam mais pagar o imposto. Em conseqüência, inúmeros documentos foram enviados ao parlamento francês, pedindo ou a reforma ou a supressão dos dízimos.

A Assembléia Constituinte de França resolveu finalmente extinguir esse uso. Na noite de 4 de agosto de 1789, os deputados do clero renunciaram aos seus privilégios e, em particular, aos dízimos. Aos 21 de setembro de 1789, o rei Luis XVI (1754-1793) promulgou o decreto que declarava extinta o pagamento dos dízimos.

A nova legislação francesa estendeu-se às demais nações européias, de sorte que até 1848 foi abolida em todo o continente europeu, a cobrança dos dízimos; ficou apenas uma pequena porção da Itália sujeita a esse regime, até 1887.

Enquanto no Brasil, inicialmente, no tempo de colônia e Império, vigorava a contribuição do dízimo, cobrado e em parte administrado pelo Estado, então oficialmente unido à Igreja Católica. Quando do advento da República se deu a separação de Igreja e Estado (1889), viu-se a Igreja privada dos recursos materiais ordinários para o cumprimento de sua missão evangelizadora. Daí ter tomado maior vulto e importância o processo que, de modo geral, até hoje vigora, de se exigirem dos fiéis, por ocasião dos serviços religiosos e contribuições determinadas.

Conclusão

O dízimo não fazia parte da doutrina da igreja primitiva. Antes os próprios pais apologistas condenavam a prática, sob o argumento de o povo de Deus estar livre do jugo da Lei. Consequentemente, cada um ofertava à Igreja e aos necessitados conforme podia e de maneira voluntária, na mesma razão o qual o apóstolo Paulo pregava ( 2 Coríntios 9.7).

O dízimo somente passou a virar doutrina e obrigação no universo cristão a partir do Concílio de Macon, em 585. Determinação essa que veio influenciar a outras denominações cristãs posteriormente. E mesmo assim, o dízimo no cristianismo nunca foi exercido na sua finalidade integral, que seria auxiliar os ministros de Deus e os necessitados. Antes o imposto eclesial tornou-se apenas a mais importante arrecadação aos cofres das igrejas, para o sustento, principalmente, do alto clero.

Semente da Renovação

Bibliografia:
Excertos transcritos do Documento 8 – Estudos da CNBB
Adversus Haereses IV
Didascália
Didaqué

Wikipédia
scribd.com
aramaico.wordpress.com

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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A Marca da Promessa 2


Uma das maiores hipocrisias na igreja evangélica é o tal envelope do dízimo.
Para que raios você precisa ter o controle de quem está entregando o dízimo ou não?
Quando você compra uma mercadoria, você assina um termo de compromisso no qual consta que você pagará o valor concordado da mercadoria.
Você pode receber um carnê de fidelização, por exemplo, ou pagar por boleto bancário, ou débito automático.
Esse lance de dízimo é mais ou menos isso aí.
A mercadoria é a benção, o vendedor é a "igreja" e o cliente é você.
Eles sabem que você está cumprindo com o contrato de fidelização quando seu envelope é depositado no caixa da "igreja". Então, estando de acordo com o contrato assinado, você está apto a receber todos os benefícios do Todo-Poderoso, até um jatinho particular!
Num futuro nem tão distante, poderá ser assim...
As "igrejas" (mercados da benção), terão catracas nas portas e só vai entrar quem estiver com a Marca da Promessa.
A Marca da Promessa terá o controle de todos aqueles que estiverem cumprindo com os termos do mercado, pagando em dia seu dízimo.
Caso chegue um alguém com a Marca da Promessa e seu dízimo estiver em atraso, automaticamente um mecanismo será acionado e o obreiro mais próximo irá retirá-lo da "igreja".
E como acontece com todo aquele que é mau pagador, seu nome vai para os créditos de cobrança.
A Marca da Promessa será, também, a própria agência de cobrança.
Seu contrato permite que ela te exclua da "igreja" e te faça ladrão.
Com isso, você também perderá todos os outros benefícios que a Marca da Promessa oferece, como as bençãos da prosperidade, saúde, casamento perfeito, liderança, e até o céu de glória que está sendo preparado pela Marca da Promessa.
Como se não bastasse, a Marca da Promessa ainda tira a segurança que você tinha contra o Devorador, uma praga que mais parece um demônio que inferniza todos os seus bens, estraga sua geladeira, queima sua televisão e bate o seu carro.
Desgraça total meu amigo.
Melhor permanecer fiel ao contrato de fidelização com a Marca da Promessa do que arriscar seus bens.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

A Marca da Promessa

"Eles vão comprar o mundo.
Um dia o mundo será comprado pelos pastores evangélicos."

Foi isso que pensei depois de ter lido que o Pastor Silas Mala-faia comprou um jatinho particular.
E vai ser assim:
-Eles vão lançar uma marca única e vão dar algum nome profético pra essa marca, talvez a Marca da Promessa.
Sim, Marca da Promessa é bastante chamativo, comercial, espiritual e já tem até musiquinha.
Eles vão dizer que a Marca da Promessa é revelação divina.
Que Deus os orientou a dizer ao seu povo que utilizassem da Marca da Promessa para comprar e doar suas ofertas e dízimos.
Eles vão monitorar todos aqueles que aderirem a Marca da Promessa.
Vão dizer para os fiéis que quem não fizer uso da Marca da Promessa estará sentenciado ao inferno, não é filho de Deus, não tem parte com o Pai, e todo aquele discurso manjado.
Os fiéis receberão um sinal em seu corpo, uma marca.
E quem não receber, será castigado, será humilhado, odiado, desprezado, será tratado como incrédulo, indiferente, indigno, sem merecimento.
E vai ser assim, ou pior, quem sabe?

PS: Eu também tenho o direito de viajar as vezes, e nem precisei de avião pra isso!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Fazer a obra?

Nos meus tempos de evangélico, observava as cobranças pelo tal fazer a obra.
Que Deus desprezava o "crente de banco", pois ninguém havia sido chamado pra esquentar banco de igreja.
Fazia até sentido isso. Fazia... Caso a Igreja fosse um lugar. O que não é!
Sempre se falava em responsabilidade, compromisso e outras palavras do gênero.
Muitas vezes vi pessoas sendo cobradas por seus "dons" escondidos.
Um dia desses para trás, um amigo estava falando de outro amigo que toca violão e canta. Dizendo que ele não queria compromisso com a obra de Deus, porque não estava mais tocando.
Daí eu fiquei pensando... O que isso tem a ver?
Na bíblia, Deus cobra muito mais o amor ao próximo e ajuda aos necessitados.
Nunca li que Deus cobraria de mim, os dias que não fui na confraria tocar violão e cantar musiquinhas dos cantores que cobram absurdos para ministrar em nome de Mamom, ops, em nome de Deus.
Será que eles imaginam que Deus não vai me cobrar amor ao próximo e ajuda aos necessitados porque eu estava bastante ocupado fazendo sua obra na confraria, entretendo o povo com música medíocre?
Sim, eu acho que eles pensam dessa forma.
É muito mais cômodo servir ao Senhor na "igreja" (com i minúsculo), do que amar alguém que não seja voccê mesmo.
Ali dentro todo mundo é perfeito, todos cantam sobre amor, falam palavras bonitas, e até fazem alguma coisa relacionada ao cuidado social só pra dizerem "olha, estamos fazendo". Mas continua sendo o País das Maravilhas, e isso só existe no conto de fadas.
Observe a Marcha pra Jesus, por exemplo. Será que aquela muvuca toda iria se encontrar em peso para ir até as favelas doar brinquedos, roupas, calçados, alimentos? Será que iriam nos hospitais visitarem os doentes? E nos presídios?
Se servir a Deus for tocar em uma igreja evangélica, então Deus enlouqueceu, se perdeu durante a jornada.

Mateus 25
33 E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda.
34 Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;
35 Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;
36 Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me.
37 Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber?
38 E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos?
39 E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?
40 E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Liturgia

Numa cidade distante de interior, em algum estado por aí, havia uma cidade chamada "Liturgia".
Era uma cidade bem pequena e afastada de outros lugares.
Havia um mercado, um açougue, uma padaria, uma igreja, e tudo que possa existir em qualquer outra cidade normal, mas sendo um apenas.
Havia, ali, também, três garotos que cresceram juntos, e eram muito amigos.
João, filho do prefeito, e que recebeu esse nome em homenagem ao seu avô; Pedro, filho do reverendo, e que recebeu esse nome em homenagem ao apóstolo bíblico Pedro; e o último deles era José, filho do mestre de obras, que recebeu esse nome devido um sonho que sua mãe teve em que ela segurava nos braços um menino que se chamava José.
Os 3 amigos cresceram recebendo todas as doutrinas religiosas que eram ensinadas da igreja onde o pai de Pedro pastoreava. Era uma cidade muito tradicional e que guardava os ensinamentos bíblicos recebidos de gerações passadas.
Quem ali nascia, ali também morria.
Eles imaginavam que saindo daquela cidade, se desviariam de Deus. Acreditavam que além das fronteiras de Liturgia morava o pecado.
Quando José completou 18 anos, resolveu que queria estudar, e tinha um grande desejo de conhecer outros lugares (esse desejo surgiu depois que ele encontrou uma revista antiga que mostrava fotos de belos lugares expalhados pelo mundo). José sempre guardou esse desejo dentro dele. Seus amigos diziam que aquilo era o Diabo querendo o levar para a perdição, mas José estava convencido que não havia nascido apenas para aquilo ali.
Os pais de José o amavam muito e respeitavam suas vontades, ele era um bom filho e muito responsável. Os pais o deixaram ir e ele se foi sem falar com muita gente, porque sabia que todos o repreenderia.
10 anos se passaram e José voltou para Liturgia.
Seus pais se alegraram muito ao vê-lo ali novamente, e ele também se alegrou ao rever seus pais.
José era agora um homem realizado, estudado e que conheceu vários lugares e pessoas diferentes. Sua aparência estava completamente mudada, já não revelava mais o rosto de um garoto do interior que ajudava o pai nas obras e a mãe nas tarefas de casa.
José se lembrou dos seus amigos e resolveu encontrá-los.
Teve uma enorme surpresa ao saber que João agora era vereador da cidade e estava preparando sua campanha para se tornar o futuro prefeito da cidade. E também, que Pedro agora lessionava nos estudos bíblicos de domingo e até pregava em alguns cultos.
Seus amigos ainda não entendiam porque ele havia saído da cidade e o viam agora como um perdido.
A forma como olharam para José não era mais como na infância. Aqueles olhares inocentes de crianças correndo com um sorriso nos lábios vindo da diversão que a infância os tivera proporcionado, havia dado lugar para os olhares sérios e mal encarados de duas pessoas que agora eram estranhas para José. Mesmo assim, José os recebeu com um forte abraço e a alegria de sempre.
Então José ouviu primeiro como os dois estavam e o que estavam fazendo (mas ele já sabia o que eles diriam, tudo naquela cidade era sempre igual, o famoso ditado "filho de peixe, peixinho é" era a maior realidade que eles tinham).
Depois deles haverem falado, foi a vez de José.
Ele contou para seus amigos como foi conhecer o mundo e que não era nada daquilo que eles ouviram durante toda a vida. Havia sim, muita crueldade e maldade, por muitas vezes os homens faziam outros sofrerem para terem aquilo que queriam, que enganavam e até matavam. Mas também havia uma imensidão de pessoas cheias de compaixão e sinceridade, que faziam o bem sem nenhum interesse ou por obrigação como era feito em Liturgia. Havia amor sincero e verdadeiro, de uma forma como ele nunca tinha visto.
João e Pedro ficaram perplexos com as coisas que José dizia a eles e não aceitavam e a cada palavra estavam mais convictos ainda que José havia se desviado dos princípios religiosos que recebeu. Não havia possibilidade daquilo ser verdade, Liturgia era o melhor lugar pra se morar e seus princípios cristãos eram invioláveis, não existia no mundo um lugar que se comparasse.
Mas quanto mais relutavam, mais José falava sobre as coisas que conheceu.
Então José lhes falou sobre Cristo. Não o Cristo que ouviu por toda sua vida, mas o Cristo que ele pôde conhecer sem nenhuma prerrogativa religiosa, ou doutrina que conhecia. A forma como ele ouvia na infância muitas vezes fez com que ele tivesse medo de Deus. Era um Deus muito perverso e um Jesus com problemas de personalidade.
Ele falou como Jesus mudou sua maneira de ver o mundo fora da sua pequena cidade natal, e que não o via com um olhar de reprovação, medo, desgosto, repúdia, ódio. Mas com olhar de compaixão, misericórdia, cuidado, amizade, carinho, alegria e amor.
José conseguia agora amar as pessoas independentemente se elas tivessem ou não a mesma fé que ele tinha.
João e Pedro estavam atônitos e se enfureciam ao ouvir José falar de Jesus daquela forma. "Definitivamente ele está possuído" - pensaram a respeito de José. Eles se enfureciam com seu amigo, que agora já não era mais amigo, mas sim um inimigo, o maior inimigo de todos.
Tomados de uma repúdia infernal, João e Pedro tentaram calar José na marra, e com a força da sua ira traduzida pelos socos e chutes, cegados por sua vaidade ignorante e seu orgulho religioso que não os permitia ver que existia um mundo gigantesco e diferente daquele lugar escravizador.
José, ainda caído e com sangue escorrendo pelo seu rosto, prosseguia com suas palavras. Era a expressão de alguém que conheceu o sentido da palavra "vida". Mas era como veneno para os dois amigos.
Eles continuavam a golpear José, como se fossem juizes inquisidores libertando aquela cidade da possibilidade de um monstro aterrorizador invadir a mente dos habitantes.
Pedro, avistou um pedaço de tronco caído no chão, pegou e deu o último golpe em José.
A história foi contada a todos da cidade pelos dois homens que foram recebidos como heróis por haverem se livrado do jovem herege que abandonou Liturgia.
A história de José, João e Pedro, é contada até hoje para alertar aqueles que um dia pretendem sair de Liturgia para o mundo do "engano".

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

E disse Jesus:

Meus apóstolos, quero que vocês saiam pelo mundo dizendo para as pessoas que eu morri por aqueles que aceitarem na minha religião e cumprirem as regras. E não esqueça de dizer que quem não aceitar vai ser assado vivo no inferno de fogo.
Desejo que vocês montem um livro juntando as escrituras judaicas e textos que vocês escreverem. A partir desse manual de conduta e fé,quero que montem uma instituição.
Quero que vocês juntem as pessoas que aceitarem ser da minha religião, e com o dinheiro que elas doarem, construam templos para servirem de sede da minha instituição.
Quando os templos estiverem prontos, quero que vocês realizem reuniões animadas e com música e cantores, com muitos testemunhos, sermões e ritos. Eu ajudarei vocês, enviando o espírito santo para derrubar as pessoas e faze-las falar palavras sem nexo.
Com o dinheiro dos dízimos, das ofertas, dos propósitos, da ajuda às missões, das excursões, das festas, da venda de produtos literários, videográficos e sonoros, e da renda da cantina, quero que vocês aumentem o tamanho do templo cada vez mais, para que as pessoas achem que dentro desses luxuosos templos estão na minha casa.
Dou o direito de que os comandantes dessas instituições sejam chamados Homens de Deus, e que conquistem poder político através do voto das nossas ovelhas.
Com esse poder político, quero que consigam concessões de radio e tevê, e através desses meios de comunicação, divulguem minha religião até que a maioria das pessoas tenham me aceitado.
E depois que o mundo estiver sob o nosso controle, eu voltarei e mandarei para o inferno os poucos que estiverem desviados da minha religião, e aí sim, meu trabalho estará completo ,os meus religiosos estarão felizes eternamente e os que não quizeram se converter estarão queimando eternamente.Isso é que é o mundo de Deus, o mundo perfeito!
Estará consumado!

Romim