sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Deus violento


Em história, estudamos sobre a crise da Idade Média, ou Idade das Trevas (em sentido mais poético). Estudamos e entendemos como foi esse período histórico que durou cerca de 10 séculos iniciado no século V e terminado no século XV.
Foi um período de muitos acontecimentos históricos significantes, e uma cultura cheia de ritos, lendas, mistérios, folclores, além de guerras, pestes, doenças, etc.
O modo de produção predominante nesse período foi o Feudalismo, e o poder religioso estava sob posse da Igreja Católica.
O povo era laico (como se hoje não o fosse), temia os senhores feudais que eram os "reis" da terra - inclusive durante o período de nacionalização, os maiores senhores feudais se tornaram os reis de seus países -, a Igreja Católica, a maior detentora de poder, já que também era uma senhora feudal, então tinha poder político, ainda detinha um poder econômico e o principal dos poderes em seu tempo que era o poder religioso.
Era comum o povo crer que sua desgraça ou acontecimentos desastrosos, doenças, mortes, enfim, todo tipo de acontecimento denominado como mau, era um castigo de Deus.
Havia essa idéia que Deus estava castigando por algum pecado cometido pela pessoa ou por antepassados. Uma idéia de Deus mau, um Deus violento, sem compaixão.
A idéia desse Deus era atemorizante!
O povo era mentalmente massacrado em uma fé cega e inexistente, em um deus meramente criado pelos homens, uma idéia, um mito religioso para manter o povo sob seu domínio.
Com o aumento das guerras; a peste negra que devastou a Europa no século XIV, matando entre 25 e 75 milhões de pessoas, cerca de 1/3 da população da época; a fome que se deu devido mudanças climáticas e ocasionou com o declínio da produção agrícola, ora chovendo, ora secas, isso diminuiu a produção de alimento e muitos morreram de fome.
Um prato cheio para a Igreja novamente impor medo no povo dizendo ser um castigo divino, uma praga como as 10 que aconteceram no Egito, era Deus se vingando do povo devido a multidão dos seus pecados.
Talvez hoje, você olhe para livros de história, como eu fazia há alguns anos atrás quando estudei pela primeira vez o período da Idade Média, e dê risadas com tamanha ignorância da população da época.
Mas hoje, mais de 5 séculos se passaram desde esses acontecimentos, e muitos outros vieram após isso e que também marcaram a história da humanidade, como a Reforma religiosa, Grandes Navegações, Renascimento, Revolução Francesa, Revolução Industrial, I e II Guerra Mundial, Quebra da Bolsa de Nova Iorque, entre vários outros acontecimentos... É difícil imaginar uma sociedade em pleno século XXI que esteja presa a essas doutrinas de um Deus violento que assola a humanidade com pestes devido os pecados e o desvio de seus caminhos.
É difícil imaginar, mas infelizmente é uma realidade tão óbvia quanto a que existiu na Idade Média.
É comum vermos em cultos televisionários e dentro das igrejas, os homens pregando e ensinando o povo laico, que o motivo pelo qual eles passam por dificuldades é porque Deus não estende mais suas mãos para os protegê-los devido os pecados; a maldição de não haverem dizimado, como se o dízimo fosse um contrato assinado com Deus em que você o paga e Ele te dá proteção e prosperidade; a rebeldia; a insubmissão com lideranças religiosas, devido a idéia equivocada de uma hierarquia eclesiástica onde aqueles que deveria ser delegados para servir a comunidade, estão liderando e impondo suas regras e doutrinas; tudo isso em nome de uma fé cega, que engana o povo.
O povo mais uma vez sofre na ignorância sem conhecer o Deus que é rico em amor, graça, benignidade, longanimidade, o Deus cuja misericórdia triunfa sobre o juízo. O Deus que entregou seu Filho a morte, para que nós pudéssemos ter vida plena, o Deus que nos fez seus filhos.
Se nossos passos forem os mesmos da Idade Média, ainda existe uma esperança, pois ela termina em uma Reforma. Os valores divinos autênticos são novamente aplicados e ensinados, conceitos são mudados e o povo recebe a libertação da mente e pode novamente enxergar Deus como Ele é e não como os outros tentaram passar.
Há esperança para nós!

2 comentários:

Raquel disse...

O passado e ignorância de nossos antepassados refletem até hoje na maneira me que vivemos e vemos o nosso Deus. Devemos procurar uma maneira de romper com esses pensamentos arcaicos e viver a liberdade de Deus pra nós!

Gostei Thiago! Estudei tudo isso na faculdade essa semana!

Naty disse...

hmmmm distocer o caráter de Deus diante das pessoas com a finalidade de exercer domínio é bem mais antigo... a serpente do Éden que o diga