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terça-feira, 29 de junho de 2010

Ekklesia


"Tu és Pedro; e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja." (Jesus)

Que todo mundo sabe que Jesus não estava falando de templos ou denominações, tudo bem!
Mesmo que alguns insistam em associar Igreja ao Templo e declarar a importância do mesmo e até ousar dizer que não existiria Igreja sem Templo e consequentemente não existiria salvação sem Igreja.
O que Jesus está querendo dizer com edificar a igreja dele então?
Talvez nunca saberemos ou aceitaremos a verdade intrínseca nas palavras de Jesus, talvez...
A palavra Igreja é uma tradução do latim da palavra grega Ekklesia.
Ekklesia é o nome dado por Sólon (legislador, jurista e poeta grego) à Assembléia dos Homens Comuns criada em Atenas cerca de 600 A.C. com a participação de todos os cidadãos homens maiores de 18 anos.
Na Ekklesia, votavam-se questões de interesse da população.
Anteriormente a isso, as votações eram feitas no Areópago, onde se reunia um conselho de aristocrátas atenienses.
Sólon democratizou as votações, mostrando que todos os homens são iguais em direitos e não há, diante do interesse comum, aristocrátas e laicato.
A Ekklesia era muito conhecida nos tempos de Jesus.
Seguindo a lógica de Sólon, o que Jesus está querendo dizer em "edificarei a minha igreja" é reunir um agrupamento de pessoas na mesma feição da Ekklesia já existente, onde todos os homens são livres e iguais em direitos e não há mais pastores, rabinos, padres, bispos ou presbíteros, todos somos iguais.
E o nosso interesse individual é que o interesse coletivo seja a nossa única prioridade.

Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem e mulher, porque todos sois um só em Cristo Jesus. (Gl 3, 27-28)

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Deus não existe

Deus não existe. Ele é Ele mesmo pra além de toda essência e existência. Portanto, argüir acerca da existência de Deus é o mesmo que negá-Lo.

Deus não existe. Ele é. Eu existo. Pois existir não é algo que seja pertinente ao que É. Existir é o que se deriva do que sendo, É de si e por si mesmo.

Deus não existe. O que existe tem começo. Deus nunca começou. Deus nunca surgiu. Nunca houve algo dentro do que Deus tenha aparecido.

Deus não existe. Se Deus existisse, Ele não seria Deus, mas apenas um ser na existência.

Se Deus existisse, Ele teria que ter aparecido dentro de algo, de alguma coisa, e, portanto, essa coisa dentro da qual Deus teria surgido, seria a Coisa-Deus de deus.

Existem apenas as coisas que antes não existiam. Existir surge da não existência. Deus, porém, nunca existiu, pois Ele é.

Sim, dizer que Deus existe no sentido de que Ele é alguém a ser afirmado como existente, é a própria negação de Deus. Pois, se alguém diz que Deus existe, por tal afirmação, afirma Deus, e, por tal razão, o nega; posto que Deus não tem que ser afirmado, mas apenas crido.

Deus É, e, portanto, não existe. Existe o Cosmos. Existem as galáxias. Existem todos os entes energéticos. Existem anjos. Existem animais e toda sorte de vida e anima vivente. Existem vegetais, peixes, e organismos de toda sorte. Existem as partículas atômicas e as subatômicas. Existe o homem. Etc. Mas Deus não existe. Posto que se Deus existisse dentro da Existência, Ele seria parte dela, e não o Seu Criador.

Um Criador que existisse em Algo, seria apenas um engenheiro Universal e um mestre de obras cósmico. Nada, além disso. Com muito poder. Porém, nada além de um Zeus Maior.

Assim, quando se diz que Deus está morto, não se diz blasfêmia quando se o diz com a consciência acima expressa por mim; pois, nesse caso, quem morreu não foi Deus, mas o “Deus existente” criado pelos homens. Tal Deus morreu como conceito. Entretanto, tal Deus nunca morreu De Fato, pois, como fato, nunca existiu — exceto na mente de seus criadores.

Assim, o exercício teológico, seja ele qual for, quando tenta estudar Deus e explicar Deus, tratando-o como existente, o nega; posto que diz que Deus existe, fazendo Dele um algo, um ente, uma criatura de nada e nem ninguém, mas que também veio a existir dentro de Algo que pré-existia a Ele, e, portanto, trata-se de Algo - Deus sobre o tal Deus que existe.

A Escritura não oferece argumentos acerca da existência de Deus. Jesus tampouco tentou qualquer coisa do gênero. Tanto Jesus quanto a Escritura apenas afirmam a fé em Deus, e tal afirmação é do homem e para o homem — não para Deus —; pois se fosse para Deus, o homem seria o Deus de Deus, posto a existência de Deus dependeria da afirmação e do reconhecimento humano. Tal Deus nem é e nem existe; exceto na mente de seus criadores.

Deus não existe. O que existe pertence ao mundo das coisas que existem OU não existem. Deus, porém, não pertence a nada, e, em relação a Ele, nada é relação.

Defender a existência de Deus é ridículo. Sim, tal defesa apenas põe Deus entre os objetos de estudo. Por isto, dizer: “Deus existe e eu provo” — é não só estupidez e burrice; mas é, sem que se o queira, parte da profissão de fé que nega Deus; pois se tal Deus existe, e alguém prova isto, aquele que apresenta a prova, faz a si mesmo alguém de quem Deus depende pra existir... e ou ser.

O que “existe”, pertence à categoria das que coisas que são porque estão. Deus, porém, não está; posto que Ele É.

Ser e estar não são a mesma coisa, como o são na língua inglesa. O que existe pertence ao que é apenas porque está. Deus, entretanto, não está porque Ele É.

E quem direi que me enviou?” — perguntou Moisés. “Dize-lhes: Eu sou me enviou a vós outros!” — disse Ele.

Desse modo, Deus não diz “Eu Estou”, mas sim “Eu Sou”. Ora, um Deus que está, não é, mas passou a ser. Porém o Deus que É, mas não está; não pertence ao mundo das coisas verificáveis; posto que Aquele que É, não está; pois se estivesse, seria —, mas não Seria Aquele de Quem procedem todas as existências, sendo Ele apenas um ele, e não Ele; e, por tal razão, fazendo parte das coisas que existem — mas sem poder dizer Eu Sou!

Jesus também falou da sutileza do ser em relação ao estar. Quando indagado acerca da ressurreição pelos saduceus (que não criam em nada que não fosse tangível), Ele respondeu: “Não lestes o que está escrito? Eu sou o Deus de Abraão, eu sou o Deus de Isaque, eu sou o Deus de Jacó. Portanto, Ele é Deus de vivos, e não de mortos; pois para Ele todos vivem”. Assim, os que vivem para sempre são os que são em Deus, e não os que estão existindo. A vida eterna não é existir pra sempre, mas ser em Deus.

Assim, para viver eternamente eu tenho que entrar na dissolvência da existência, a fim de poder mergulhar naquilo que está pra além do que existe; posto que É.

A morte pertence à existência. A vida, porém, se vincula ao que não existe, pois, de fato É.

O que existe carrega vida, mas não é vida. A vida, paradoxalmente, não pertence ao que é existente, mas sim ao que É.

Quando falo de vida, refiro-me não às cadeias de natureza biológica que constituem a vida dentro da existência. Mas, ao contrario, ao falar em vida, refiro-me ao que é para além da existência constatável.

Ora, usando uma gíria de hoje, eu diria: Tillich tem razão quando diz: “Deus não existe!” — pois é isto que hoje se diz quando algo está pra além da existência: “Meu Deus! Esse cara não existe!”. Assim é com Deus: Não existe! Pois é de-mais!(REVERENDO CAIO FÁBIO)

segunda-feira, 3 de maio de 2010

A árvore e os frutos

Ontem fui no culto de uma igreja evangélica e ouvi um chavão muito antigo:

"Só jogam pedras em árvore que dá fruto! Se estão jogando pedras em você, é porque você tem frutificado".

Nem preciso dizer que houve um reboliço por parte dos ouvintes, como se o Brasil tivesse feito o gol decisivo em uma final de Copa do Mundo.

Esse ditado é usado, entre outras finalidades, pra inflar o ego cristão nos momentos de "lutas" e "perseguições", quando o pau ta cantando - no popular - e a galera precisa de um incentivo, de uma palavra animadora.

Aí eu comecei a pensar nesse ditado e o que isso tem a ver.
Lembrei de Mateus 7, quando Jesus fala de duas árvores.
Ele dizia isso para nós sabermos identificar quem entre nós era verdadeiro e quem era falso.
Ele fala de duas árvores, uma que dá bons frutos e outra que dá frutos maus.
Simples!
A que dá bons frutos, obviamente, o cristão verdadeiro.
A que dá maus frutos, o falso profeta.

Continuei pensando...
Como sabemos determinar quando uma fruta é boa ou ruim?
Nem sempre um simples olhar ou tocar diz que uma fruta é boa ou ruim, as vezes é preciso prová-la.
Foi aí que me lembrei de uma velha fábula: A Raposa e as Uvas.

Conta a fábula (na versão de Millôr Fernandes) que uma raposa caminhava há dias com fome e avistou ao longe uma parreira de uvas que pareciam deliciosas e tentou com todos os seus esforços pegar aquelas uvas, sem sucesso, foi embora dizendo: "essas uvas estão verdes". No caminho, encontrou uma enorme pedra e arrastou com muito esforço, subiu na pedra e conseguiu apanhar um cacho e quando colocou na boca, rapidamente cuspiu. As uvas estavam mesmo verdes e azedas!
A raposa foi atraída pela bela aparência das uvas, porém, elas não eram boas para o consumo.

Pensando nisso, não vi muita lógica no dizer do pastor com aquilo que Jesus ensina.
Conhecemos uma árvore boa, pelos seus frutos bons e não pela quantidade de pedras que ela recebe!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O Rei - 2 Parte

Depois chegou o momento em que o rei Luna
disse que as crianças deviam ir para a cama, devido ao
adiantado da hora. E acrescentou ainda:
- Amanhã, Cor, você percorrerá comigo todo o
palácio, examinando os seus pontos fortes e fracos,
pois a você caberá guardá-lo quando eu me for.
- Mas Corin é que será o rei, pai - protestou Cor.
- Nada disso, rapaz - replicou o rei Luna. - Você
será o meu herdeiro. Cabe a você a coroa.
- Mas não quero a coroa - disse Cor. - Prefiro
muito mais...
- Não interessa, Cor, o que você prefere. É a lei.
- Mas, se somos gêmeos, somos da mesma
idade!
- Nada disso - respondeu o rei, rindo-se. - Um
tem de vir primeiro. Você é mais velho do que Corin
vinte minutos. E mais ajuizado também, espero. -
Olhou para Corin, piscando.
- Mas, pai, o senhor não pode escolher quem
quiser para rei?
- Não. O rei obedece às leis, pois as leis o fizeram rei.
- Puxa vida! - disse Cor. - Não quero a coroa de
jeito nenhum. Olhe aqui, Corin... a culpa não é minha.
Nunca pensei que acabaria passando a perna no seu
reinado.
- Viva! Salve! - gritou Corin. - Não tenho de ser
rei! Não tenho de ser rei! Vou ser príncipe a vida toda.
Os príncipes é que se divertem!
- É ainda mais verdade do que ele pensa, Cor -
falou o rei Luna. - Pois ser rei é isto: ser o primeiro
em todos os combates e o último em todas as
retiradas. Quando houver fome no país (o que às
vezes acontece nos anos piores), o rei deve alimentarse
frugalmente, e rir mais alto do que ninguém diante
de uma refeição parca
.

As Crônicas de Nárnia - O Cavalo e seu Menino

domingo, 16 de agosto de 2009

Campanha do amor ao próximo



Quinta passada, fui visitar um velho amigo em seu trabalho.
É um cara que admiro muito pela sua sinceridade, simplicidade e humildade, além da sua grande sabedoria e visão do Reino de Deus.
Então, falávamos sobre o Reino de Deus, quando ele disse algo que me atraiu a atenção:
-"As igrejas estão aí anunciando diversas campanhas para diversas finalidades. Por que a igreja não promove a Campanha do Amar ao Próximo como a ti mesmo? Quem é o próximo? É qualquer um, de preferência o mais necessitado de todos eles e não precisa ser crente para ser o próximo, precisa apenas ser alguém, uma pessoa como eu também sou!"
Claro que as palavras usadas por ele não foram precisamente essas, mas o sentido é plenamente esse.
Então, fiquei imaginando que no lugar da Campanha da Prosperidade, onde o interlocutor anunciasse que haveria a necessidade de dar uma oferta especial para que a benção financeira fosse liberada para a vida dos fieis, que então, ele dissesse que na próxima semana iniciariam a Campanha do Amor ao Próximo!
- Como ela funciona? - Alguém provavelmente questionaria em sua mente (se não todos ali presentes).
Ela funciona assim:
Cada pessoa que participa, sairia pelas ruas a procura de alguém necessitado, seja de casa, comida, remédios para tratamento de sua enfermidade, o que fosse a necessidade do próximo.
Então, você levaria essa pessoa para a sua casa e ajudaria ela até que suas necessidades fossem sanadas.
Daria amor e se colocaria na vida dessa pessoa como se fosse seu amigo mais próximo, como se fosse seu irmão, capaz até de morrer por ela, mesmo que você nunca tivesse visto essa pessoa antes em qualquer lugar que não fosse ali, naquela oportunidade.
Imaginei, como naquele filme "Corrente do bem", que isso pudesse espalhar e consumisse o mundo todo. As pessoas achariam aquilo revolucionário, um frenesi, e quando fossem nos questionar sobre a origem daquela corrente, diriamos apenas que estamos colocando em prática o que Cristo nos ensinou.
Mais e mais pessoas descobririam que era isso que procuravam a vida toda, que esse era o sentido da vida "amar ao próximo" e se uniriam a nós sem que nem precisássemos pregar com palavras o que era aquilo, seriam atraídas pelo amor.
Utopia? Talvez!
Mas é a forma como acredito que a vida deve ser vivida.
1 João 3:17 Mas aquele que tiver bens do mundo e vir seu irmão em necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como permanece nele o amor de Deus?

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Cristianismo de Consumo?

“Em vez de procurar uma igreja que ensine a Palavra de Deus, algumas vezes buscamos uma igreja que ’supra nossas necessidades’. A igreja não existe para prover ’serviços’ aos membros; ao contrário, ela deve desafiar os membros a que se envolvam no ’serviço’ a Deus e a seus semelhantes. Quando pensamos como consumidores, colocamo-nos em primeiro lugar, escolhendo o que corresponde melhor aos nossos desejos. O cristianismo é uma questão de verdade, de submissão ao Deus santo e justo, cuja autoridade sobre nós é absoluta e que, de forma alguma, está sujeito às nossas preferências de consumo. O cristianismo não deve ser manchado pelo consumismo.”


- Gene Edwards Veith Jr. em Posmodern Times citado por Hernandes Dias Lopes em Pregação Expositiva (2008).

segunda-feira, 23 de março de 2009

O Reino de Deus [Parte III]

Jesus estava assentando entre o povo e lhes ensinava acerca do Reino de Deus, quando alguns dos sacerdotes e lideres do Sinédrio se aproximaram dele e lhes perguntou:
-Mestre, qual a nossa importância no Reino de Deus?
E Jesus contou-lhes essa parábola:

"Certa vez, um homem muito rico, dono de uma grande terra saiu em viagem e delegou aos seus servos que cuidassem da terra para que ela produzisse o bom fruto.
Esse homem, não colocou nenhum de seus servos como líder, mas separou grupos para cuidar de cada tarefa específica de suas terras.
Assim, cada grupo exerceu sua função, respeitando e zelando uns para com os outros, cuidando da terra de seu senhor.
O homem poderoso retornou de viagem e ficou satisfeito ao ver que a terra produzira um bom fruto e se alegrou por seus servos terem cuidado muito bem daquilo que era dele!"


Ouvindo isso, os sacerdotes e líderes se retiraram da presença dele frustrados e todo o povo se admirava ao ouvir Jesus falar!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Você sabia?

Você sabia que foi apenas no ano 190 d.C. que a palavra grega ekklesia , que traduzimos como igreja, foi pela primeira vez utilizada para se referir a um lugar de reuniões dos cristãos? Sabia também que esse lugar de reuniões era uma casa, e não um templo, já que os templos cristãos surgiram apenas no século IV, após a conversão de Constantino? Você sabia que os cristãos não chamavam seus lugares de reuniões de templos até pelo menos o século V?

Você sabia que Jesus não fundou o Cristianismo, e que o que chamamos hoje de Cristianismo é uma construção religiosa humana, feita pelos seguidores de Jesus ao longo de mais de dois mil anos de história? Você sabia que o que chamamos hoje de Cristianismo está profundamente afetado por pelo menos três grandes eras: a era de Constantino, a era da Reforma Protestante e a era dos Avivamentos na Inglaterra e nos Estados Unidos? Você sabia que é praticamente impossível saber a distância que existe entre o que Jesus tinha em mente quando declarou que edificaria a sua ekklesia e o que temos hoje como Cristianismo Católico Romano, Protestante, Ortodoxo, Pentecostal, Neopentecostal e Pseudopentecostal?

Você sabia que os primeiros cristãos se preocuparam em relatar as intenções originais de Jesus com vistas a estender seu movimento até os confins da terra?

Nesse emaranhado de coisas que eu não sabia, três coisas eu sei. A primeira é que a crítica que o mundo secular faz ao Cristianismo institucional tem sérios fundamentos, ou como disse Tony Campolo: “Os inimigos estão parcialmente certos”. A segunda coisa que sei é que nesta Babel que vem se tornando o movimento evangélico brasileiro, está cada vez mais difícil identificar a essência do Evangelho de Jesus Cristo, nosso Senhor. A terceira coisa que sei é que vale a pena perguntar aos primeiros cristãos o que eles entenderam a respeito de Jesus, sua mensagem, sua proposta de vida e suas intenções originais. Vale a pena voltar à Bíblia.

Texto de Ed René Kivitz

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O Reino de Deus (Parte II)

E Jesus, sendo questionado acerca do Reino de Deus, disse:
-Considere um homem muito pobre que estava com uma enfermidade mortal em seu corpo.
Esse homem tentou através de suas condições se libertar dessa enfermidade, porém, todas as tentativas falharam.
E descobriu que para se livrar dessa enfermidade, teria que ser submetido a um tratamento muito caro, tão caro que jamais poderia pagar, nem se trabalhasse por toda sua vida ininterruptamente.
Então, esse homem, fica entregue a morte...
Até que um dia, naquela terra, surge um senhor muito generoso e compassivo e sem ao menos conhecer o homem enfermo, paga todo o seu tratamento sem cobrar nada do enfermo.
O homem enfermo consegue se salvar e a partir dali, dedica sua vida a servir aos necessitados assim como o senhor generoso um dia fez com ele.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Servir ou liderar? - Parte 2 -


Mateus 23
8 Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos.
9 E a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus.
10 Nem vos chameis mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo.
11 O maior dentre vós será vosso servo.
12 E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado.




Por que as igrejas evangélicas ensinam sobre liderar se Cristo ensinou sobre servir?
Por que existem congressos ensinando o povo a liderar, mas não a servirem?
Por que existe tanta gente na posição de Rabi se apenas Cristo é Rabi?

Servir ou liderar?


Gálatas 5
13 ¶ Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor.
14 Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.

Sou livre em Cristo, não tenho líder a não ser ele.
Sou livre em Cristo, e por amor me coloco como servo do meu próximo.


Um cristão é senhor livre sobre todas as coisas e não está sujeito a ninguém. Um cristão é servidor de todas as coisas e está sujeito a todos. Martinho Lutero

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Onde cultuar?

João 4:20 Nossos pais adoravam neste monte; vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar.
21 Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai.

23 Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores.



Quase todos os cristãos que encontro me fazem a mesma pergunta rotineira "qual sua igreja?".
Minha resposta sempre é a mesma "sou da Igreja de Cristo, e me reuno semanalmente com amigos em um lar"!
Não é estranho eu ouvir dessas pessoas coisas do tipo "hã?"; ou "como? não entendi..."; ou "como que é isso?".
Como se fosse um bicho de 7 cabeças, ou uma nova doutrina, ou apenas uma pergunta já feita com ar de absurdo.
Não é difícil me parecer como um marginalizado da fé, um vagabundo espiritual sem comunhão com Cristo e sua Igreja.
As pessoas logo me convidam para seus cultos rotineiros e práticas litúrgicas, sempre me dizendo: "aparece lá no domingo, as 19hs, no templo tal, endereço tal".
Não posso deixar de me lembrar da conversa que Cristo teve com a mulher samaritana e de sua pergunta "qual o lugar que devemos prestar culto?"
Prontamente, as palavras de Jesus me aliviam em relação a isso: "nem nesse monte, nem em Jerusalém, os adoradores do meu pai adorarão a ele em espírito e em verdade"
Conhecemos tão bem esse texto, e o usamos rotineiramente, mas não analisamos ele em espírito e em verdade.
O Senhor da Igreja nunca estipulou lugar, e muito menos padrão, não designou senhorios em sua casa, não judaizou o culto ao Deus que habita em nós e não em templos feitos por mãos de homens.
A ÚNICA instrução do mestre foi "em espírito e em verdade", qualquer outra além dessa pode acabar afetando a vontade do Pai.
Pense nisso.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Nicolaítas


Apoc 2:1-7 Eféso- Ao anjo da igreja de Éfeso escreve: Assim diz aquele que segura as sete estrelas em sua mão direita, o que anda em meio aos sete candelabros de ouro. Conheço a tua conduta, tua fadiga e tua perseverança, sei que não podes suportar "os malvados", "puseste a prova os que se diziam "apóstolos" e não o são" , e os descobristes mentirosos. És perseverante pois sofreste por causa do meu nome, mas não esmoreceste, Devo reprovar-te contudo, por teres abandonado o primeiro amor. Recorda-te, pois, de onde caiste, e converta-te e retoma a conduta de outrora. Do contrario virei a ti e caso não te convertas, removerei teu candelabro de sua posição. "tens de bom, contudo, o detestares a "conduta dos nicolaitas", que também "EU DETESTO". Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz "AS" igrejas....(bíblia de jerusalém)

Nicolaítas, em grego, é composta de duas palavras: nikao que significa conquistar ou sobre outros e laos que significa povo comum, povo secular ou laicato. Em outras palavras, nicolaítas significa "dominador do povo".
Nicolaítas, se constitui de um grupo de pessoas que se auto avaliam acima de um cristão comum, trazendo para si uma aclamação da qual não foi dada por Deus. Se trata de uma classe mediadora entre a Igreja e Deus.Com um respeito, honra e toda forma de tratamento diferenciado (muitas vezes até medo) dos demais cristãos. Está claro que o Senhor detesta esse tipo de tratamento, e é o que nós também deveríamos fazer.


quarta-feira, 28 de maio de 2008

O Rei


Terminei de ler hoje, o primeiro livro da série "As Crônicas de Nárnia" do autor irlandês C. S. Lewis.
O livro, cujo título é "O sobrinho do mago", conta a história de como Aslan, o leão e único personagem que aparece na seqüencia de todos os outros livros, cria o mundo encantado de Nárnia. Também conta as aventuras de Digory Kirke e Polly Plummer que fazem a viagem para essa terra e testemunham a criação de Nárnia.
Bem, não quero me apegar a detalhes do livro, que por sinal é ótimo e me convidou a ler toda a série que contém 7 livros ao todo.
Há uma grande temática cristã incorporada aos livros que contam a saga de Nárnia. E é sobre ela que quero registrar uma coisa que muito me chamou a atenção e me fez pensar, sem muita demora, vou mostrar um trecho em que Aslan convida à Franco (cocheiro), para se tornar o Primeiro Rei de Nárnia, veja o que Aslan diz:

"Pode governar estas criaturas com espírito de bondade e justiça, lembrando-se de que não são escravas, como os bichos mudos do mundo em que nasceram, mas animais falantes e súditos livres?
E ensinará seus filhos e netos a procederem do mesmo modo?

E não escolherão privileiados, nem entre os seus próprios filhos, nem entre as outras criaturas, nem deixarão que uns oprimam os outros?
E se inimigos vierem combater a terra (pois eles virão), será você o primeiro a atacar e o último a bater em retirada?
Se o fizer, terá feito o que um rei deve fazer."

Não sei bem qual a intenção de C. S. Lewis nessa parte do texto. Não sei o que ele queria expressar aí, mas sei bem qual temática cristã tirar desse trecho.
O contexto é o seguinte:
-Franco era um homem do campo, que veio para Londres tentar ganhar a vida e trabalhava como cocheiro, era simples, humilde e um bom homem, sem nenhuma má intenção, é até engraçado em certos trechos onde ele canta louvores ao Senhor e apazigua situações, enfim... Franco era um homem bom, pobre, e não tinha nenhum perfil de rei. E não sei quais, mas Aslan, o criador do mundo de Nárnia, viu qualidades nele que foram capazes de o tornar rei.

Identifico esse ponto com a nossa escolha para o evangelho, para o Reino de Deus. Em como Deus, o criador de todas as coisas, nos escolhe para o seu Reino e nos convida a zelar por ele nos dando a tarefa de amar uns aos outros.
As palavras de Deus para nós não são tão diferentes quanto as palavras de Aslan para Franco.

Se tenho certeza de alguma coisa, estou certo disso, que nenhum homem chamado por Deus, recebeu dele qualquer poder de governar sobre outro homem como quem governa a um escravo.
Estou certo que Deus não intitulou ninguém em sua Igreja como governador de homens, como aquele que ditaria as regras a serem seguidas, como o líder, o cabeça, o governador, o homem do poder, etc.

Acredito, assim como Leon Tolstoi, Ghandi, Martin Luther King, que a melhor sociedade é aquela que se baseia na compaixão.
Esse é o princípio que deu certo na Igreja Primitiva, quando os membros dela viviam em função uns dos outros. Quando todos tinham tudo em comum, eram todos um só coração e uma só mente.

Assim como o Rei de Nárnia foi chamado a servir em função dos habitantes de Nárnia, nós fomos chamados a servir em função dos que habitam no Reino de Deus.
Bem mais poderia dizer, porém, deixo as palavras de Aslan ressoar no coração de vocês.

domingo, 11 de maio de 2008

Dons Ministeriais

Efésios 4:8 Por isso, diz: Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens.Efésios 4:9 Ora, que quer dizer subiu, senão que também havia descido até às regiões inferiores da terra?Efésios 4:10 Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas.Efésios 4:11 E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres...

DOM= presente, dádiva, talento, aquilo que foi ou é dado.

Essa passagem de Efésios 4 fala sobre a unidade do Corpo de Cristo, e aí está falando sobre os dons ministeriais que Jesus DEU para a Igreja.Existem 5 ministérios eclesiásticos, apenas 5, nada mais e nada menos.Todos nós, membros do Corpo de Cristo temos vocação para 1 dos desses dons, com exceção do Ministério Apostólico, pq?1- Todo Apóstolo foi chamado diretamente por Cristo, não hove alguém que chamasse em nome de Cristo, mas o próprio Cristo foi e chamou aquele que ele escolheu como Apóstolo, a evidência bíblica disso é a palavra usada no texto original: "proskaleo" que é derivado do verbo "kaleo", que tem significado de "chamar", porém proskaleo se refere a chamada direta.2- O ministério apostólico estabeleceu fundamentos para a Igreja (ICor 3:10 e Ef 2:20)3- Na cidade santa haverão apenas 12 fundamentos e sobre eles os nomes dos 12 apóstolos (Ap 21:14)Se alguém quer receber o título de apóstolo nos dias atuais, tem que provar que o próprio Jesus desceu na terra e o chamou; estabelecer fundamentos para a Igreja, lembrando que a bíblia foi finalizada no Apocalípse, logo não há novos fundamentos a não ser os que já existem; e tbm provar como terá seus nomes nos fundamentos da cidade santa já que os que lá estarão são os nomes dos 12 apóstolos bíblicos.Voltando a falar dos dons ministeriais...Eles nos foram dados com uma finalidade:Efésios 4:12 com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu SERVIR, para a edificação do corpo de Cristo.
É para SERVIR e edificar o Corpo de Cristo.Qualquer outro que diga ter um ministério, mas que está fora desse padrão bíblico, NÃO TEM UM MINISTÉRIO ECLESIÁSTICO.Qualquer um que venha com discurso de formação de LÍDERES, desconhece que o texto fala em SERVIR e não liderar.Dons são presentes, há dons e mais dons, Paulo mesmo disse que são vários (ICor 12:4), cada um com sua finalidade, não vou entrar em detalhes sobre eles, nem sobre os tipos de dons, ficarei nos ministeriais, esses 5 citados em Efésios 4.
Os dons de Deus não são negociáveis, não tem como objetivo gerar fundos, mesmo que seja por uma boa causa, não são usados com fins lucrativos, mas como já foi dito, para a edificação da Igreja e serviço prestado aos membros dela.

Atos 8:18-23 Vendo, porém, Simão que, pelo fato de imporem os apóstolos as mãos, era concedido o Espírito [Santo], ofereceu-lhes dinheiro, propondo: Concedei-me também a mim este poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos receba o Espírito Santo.Pedro, porém, lhe respondeu: O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois julgaste adquirir, por meio dele, o dom de Deus.
Não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus. Arrepende-te, pois, da tua maldade e roga ao Senhor; talvez te seja perdoado o intento do coração; pois vejo que estás em fel de amargura e laço de iniqüidade.

Simão certamente queria adquirir o dom de Deus para usar em suas apresentações de feitiçaria e assim administrar o reconhecimento e merecimento que tinha do povo.

Mateus 10:8 Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça dai.

Nessa passagem vemos Jesus enviando seus 12 para o exercício ministerial ao qual eles foram vocacionados. Jesus diz claramente para DAREM o mesmo que receberam.O ministério de Deus é concedido gratuitamente, Deus não te cobrou nada e nem vai te cobrar, pois ele te deu, e ninguém recebeu por merecimento, mas por misericórdia.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

O Reino de Deus [Parte I]

"Ninguém tem maior amor do que aquele que da sua vida pelos seus amigos. Vocês serão meus amigos, se fizerem o que eu lhes ordeno. Já não os chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz. Em vez disso, eu os tenho chamado amigos, porque o que ouvi de meu Pai eu lhes tornei conhecido." João 15:13-15

É comum vermos títulos eclesiasticos sendo distribuídos como fardas militares nas igrejas.
Como se um Apóstolo hj fosse um General; um Bispo fosse um Coronel; Pastor fosse Capitão, etc.

E me questiono até onde isso aí vai. Porque a palavra de qualquer "autoridade eclesiastica" virou lei dentro das igrejas: "Aqui trabalhamos segundo a visão do nosso pastor!". Estamos submissos a vontade dos homens do poder. Homens que como nós, um dia foram aceitos pela misericórdia de Deus, foram alcançados pela Graça que é favor imerecido, e então eu me questiono em que parte de nossa trajetória cristã, esse favor imerecido se torna merecido, pois o que outrora fora dado por Deus, pela e para glória de Deus, pode mudar de figura e se tornar merecido pelo homem, pela glória do homem?!

Sinceramente, eclesiasticamente, exegeticamente, a única resposta que posso aceitar nessa pergunta é NÃO!
Jamais algum de nós será digno de qualquer honra, pois aquele que mereceu toda honra, foi o que mais honrou.
Gosto muito de uma frase de Charles H. Spurgeon, onde ele diz o seguinte:
“Será que um homem que ama o seu SENHOR estaria disposto a ver JESUS vestindo uma coroa de espinhos, enquanto ele mesmo almeja uma coroa de louros? Haveria JESUS de ascender ao trono por meio da cruz, enquanto nós esperamos ser conduzidos para lá nos ombros das multidões, em meio a aplausos? Não seja tão fútil em sua imaginação. Avalie o preço; e, se você não estiver disposto a carregar a cruz de CRISTO, volte à sua fazenda ou ao seu negócio e tire deles o máximo que puder, mas permita-me sussurrar em seus ouvidos: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”
Entendo e sei que desde a igreja primitiva já haviam as divisões eclesiasticas. Cada qual fora designado para determinada função segundo a necessidade da Igreja. Mas ninguém exercia poder de mandar e desmandar em nada ou ninguém, havia-se um respeito mútuo. No geral todos entendiam que a última palavra já havia sido dada por Cristo que é o cabeça desse Corpo, que somos nós a Igreja, e que hj sabemos qual foi sua palavra rhema segundo o que encontramos no NT.
No texto acima vemos Cristo se dirigindo aos discípulos em uma conversa onde ele fala sobre o amor ao próximo. Sabemos que os discípulos tratavam a Cristo como mestre e sentiam orgulho em o servir. Então Cristo se dirige a eles nessa conversa e diz: “Já não os chamo mais servos, pois um servo não sabe o que o seu Senhor faz, os chamo AMIGOS!!!”
Cristo estreitou o laço que tinha com eles, e aboliu o termo servidão do meio deles, logo, não havendo mais servos, tbm não haveria mais um senhor, ou “líder”, no sentido de alguém que da as ordens.
Cristo mostrou que o amor dentro de uma amizade é superior a obediência de um servo ao seu senhor. E o serviço inutiliza o amor:
"Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer." Lucas 17:10
O que não anula o cumprimento de uma lei de princípios humano e divino, que Cristo estabeleceu na passagem de João 15, onde ele diz que se obedecermos aos mandamentos que eles nos deixou, permaneceriamos em seu amor (Jo 15:9; Mt 22:37-40).
A Igreja não pode se tornar um Estado. Ela não foi feita pra levantar líderes. Ela é uma escola de servos.
Deus não estabeleceu um Governo na terra onde ele precise de governadores. Deus estabeleceu um Reino. E todos nós somos parte desse Reino.
“Ele nos amou e nos libertou dos nosso pecados por meio do seu sangue, e nos constituiu reino e sacerdotes para servir a seu Deus e Pai.” Ap 1:5-6
“Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo escolhido de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” IPe 2:9
“Seu Reino não seria de servos, mas de amigos, e seus amigos deveriam reinar não como poderosos, mas servos. Jesus esteve ocupado em manter-se submisso ao Pai, guardando a exata relação de dependência e rendição. As expressções do poder seriam consequeências naturais. Curar pessoas, expulsar demônios, andar sobre as águas, alimentar multidões, ressuscitar mortos e falar com autoridade eram apenas os bons frutos da árvore boa, que mesmo sendo em forma de Deus, não teve por usurpação aferrar-se aos seus direitos e prerrogativas divinas. Esvaziou-se, assumiu a forma humana e vestiu os trajes do servi, pois sabia que, no mundo dos homens, o poder seduz e degrada quem o possui, mas o amor constrange corações na direção de Deus Pai.” Ed René Kivitz, A Outra Espiritualidade
Esse é o Reino de Deus. Onde Deus é o Rei, Cristo o Sumo Sacerdote e todos nós somos sacerdotes deste Reino, todos somos iguais.

Continua...

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Viagem no tempo


Dedico à memória de Lutero, Calvino e Pedro.

O livro não tem a intenção (nem de perto) de ser um tratado teológico e/ou (muito menos) científico.

“We all want progress, but if you're on the wrong road, progress means doing an about-turn and walking back to the right road; in that case, the man who turns back soonest is the most progressive.” - C.S. Lewis

"Para quem está na estrada errada, progredir é dar meia-volta e retornar à direção correta; nesse caso, a pessoa que der meia-volta mais cedo será a mais avançada" - C.S. Lewis - Cristianismo Puro e Simples

Autor: Jonatas Bragança

Créditos by: Mima =D

Capítulo 1.

"Complexo sim. Impossível? Teoricamente não" - explicava McFly Zemeckis. "Viajar ao futuro é, a princípio, mais simples. Se uma matéria viajar a 98% da velocidade da luz, por exemplo: cada ano percorrido por ela corresponderia a cinco anos passados no tempo da Terra. O que possibilitaria a um astronauta fazer uma viagem (só de ida) para um mundo 20 anos mais velho, envelhecendo apenas 4 anos."

O professor jubilado de Física em Harvard gesticulava e apontava. Quando tratavam sobre o assunto distorções no espaço-tempo ou viagens no tempo, o professor franzino e calmo se transformava num orador empolgado.

"Viajar ao passado é uma idéia mais complexa. Envolve todo o paradigma dos possíveis impactos de uma alteração do passado. Nos remete a Einstein e Gödel. Relatividade, curvas fechadas de caráter temporal... O fato é que qualquer pesquisa nessa área envolveria energia muito maior do que dispomos em todo o nosso planeta."

"O Superman conseguiu" - murmurou um aluno. Alguns alunos riram e o sinal tocou.

Professor Zemeckis chamou dois alunos para uma conversa pós-aula quando eles se dirigiam a saída lateral.

Da Silva e Rodriguez eram os dois únicos alunos latinos que cursavam aquela disciplina. Ambos estavam ali através de um programa de bolsa para jovens pesquisadores, oferecidos por Harvard a estudantes do mundo todo.

Rapidamente o mestre explicou aos alunos que para manutenção da bolsa de estudos os alunos deveriam apresentar resultados não apenas nas provas, mas em desenvolvimento de pesquisas e, principalmente patentes:

"O governo americano e os contribuintes dessa instituição exigiram uma participação convincente na Expo2007. Os EUA detém o maior número de patentes, mas precisamos de algo inovador. O mundo não precisa de um desencaroçador de abacates. Eu proponho a vocês meus jovens, a fabricação de uma máquina do tempo."

"Professor Zemeckis, o sr. acabou de nos explicar que não é plausível qualquer pesquisa nessa área. Além disso, eu sou brasileiro e o Rodríguez é chileno. Como nossas descobertas vão favorecer os Estados Unidos na Expo?"

Reinaldo da Silva, ou Rey, como era chamado pelos colegas, nasceu em Belo Horizonte, cidade do sudeste brasileiro. Brilhante nos estudos, gostava de futebol e era cristão. Adaptou-se facilmente a cultura americana.

Zemeckis sorriu sem jeito e explicou que qualquer descoberta seria apresentada como do "Centro de Pesquisas Harvard" e não de qualquer indivíduo. Mas assegurou que seus nomes seriam reconhecidos. "Sobre a questão técnica, gostaria que os senhores dessem uma olhada nos meus estudos. 128, Sezam Street, às 5 p.m. Estejam lá."

Os dois estudantes e o professor se reuniram no horário programado. Entraram na garagem residencial do Professor e se depararam com um maquinário de 2,5 metros de altura, 4 metros de comprimento, superfície metálica e interligado por um emaranhado de fios, cabos e tubos. "Essa é minha máquina do tempo", entusiasmou-se o velho britânico.

"Percebo", respondeu Rodriguez sem emoção. "E qual o nosso papel na pesquisa?".

"Vocês terão o privilégio de realizar a primeira viagem ao passado da história".

"Cobaias." - resmungou o chileno.

"Escolham o ano e o local, por favor. Não temos um minuto a perder. E levem isso com vocês!" falou entregando um tubo acobreado.

"Wittemberg, Alemanha, 1510. E se der, uma passadinha por Genebra, Suíça, 1540" respondeu Da Silva.

Capítulo 2.

Rodriguez e Da Silva acordaram num bosque frio. Caminharam numa trilha por 40 minutos até encontrar um vilarejo.

"O Professor vacilou. Isso aqui não é Alemanha. Tá todo mundo falando espanhol" - observou Rodriguez.

Juan Rodriguez tinha 27 anos. Cursava sua segunda faculdade e tinha uma posição pragmática a respeito de quase tudo. Recebeu uma dúzias de prêmios de instituições chilenas, por seu desempenho, antes de ser convidado para Harvard. Era ateu.

"Eu estou ouvindo tudo em português", respondeu Da Silva, apontando para o tubo. "Tradutor instantâneo. Feito nos Estados Unidos, 2089. O Professor viajou previamente ao futuro, pelo jeito. Vamu lá pegar o Lutero.

"Como??"

"Vamos conversar com o Martinho Lutero. Foi pra isso que eu escolhi esse local e época. Queria conversar com ele."

"Ok."

Eram encarados pelos aldeões enquanto andavam. Rodriguez fazia comentários sarcásticos de como o professor lembrou do tradutor mas esqueceu de providenciar roupas de época.

"Olá, gostaria de conversar com o professor Lutero", solicitou Da Silva em frente Universidade de Wittemberg.

Lutero era um jovem caristmático. Olhou com certa desconfiança para os dois rapazes esquisitos.

Da Silva estendeu a mão para cumprimentá-lo. Naquela hora foram teletransportados para a Suiça, 1940.

"Parece que o Professor achou uma boa hora para seguir em frente no seu roteiro", falou Rodriguez.

"Por mil cangurus mancos! Aonde estamos?" gritou um atônito Martinho Lutero.

"Os livros não mencionam que você usava expressões engraçadas. E nem que um alemão do século XVI sabe o que é canguru."

"Que livros? Ora batatinhas inglesas. Vocês são as criaturas mais estranhas que Deus já me enviou."

Rodriguez se divertia com as expressões de Lutero.

Da Silva guiou o grupo e apresentou Lutero a Calvino e a Rodriguez na hora que o professor resolveu trazê-los de volta.

"Observação número um: O professor é muito apressado. Observação número dois: Acho que não deveríamos ter trazido dois teólogos para o século XXI. Observação número três: Não estamos nos Estados Unidos."

"Tamo em Sao Paulo, Brasil", disse Da Silva ao colega observador. Vê aquela fumaça? É um ônibus queimando.

"Pow Mano.. Manêra essa cidade aí." falou Lutero.

"Acho que esse tradutor do futuro tá exagerando um pouco".

"Vamos na casa do meu amigo Vanderlei. Ele mora lá na Deep Bar".

"Blza" respondeu o Calvino. "Eu entendi certo? Estamos no século XXI??"

"Sim, e aquilo ali é um carro. São carros que funcionam sem cavalos."

"Obrigado sr Rodriguez. Calvino tirou um bloquinho e uma pena do bolso e começou a fazer anotações."

"Pega uma caneta ó..." Da Silva entregou uma caneta a Calvino, que sorriu olhando para a caneta.

Chegaram na Barra Funda.

Lutero que parecia não se impressionar com os carros, metrôs, televisores, computadores, emocionou-se profundamente ao avistar uma Bíblia em português, na casa do Vanderlei. Sem cerimônias, abraçou o livro e chorou.

Vanderlei tinha visitas. "Um professor centenário e um homem das cavernas", conforme descrevera.

O Professor Zemeckis logo apresentou seu amigo: "Apóstolo Pedro".

"Podem me chamar de Pedrinho", sorriu o robusto pescador.

"Eu reparei no seu interesse por personagens cristãos e pedi pra outro aluno bolsista buscar o primeiro papa, Pedro!" disse o Professor alegre a Da Silva.

"Professor... eu sou cristão evangélico. Não notou que eu fui buscar o Lutero? Por que nos trouxe ao Brasil? Por que não deu roupas atuais pro Pedrinho?"

"Minha área é Física. Geografia e Moda são para os mais fracos hehehe."

"Pessoal, o papo tá bom, mas tá na hora de ir pra igreja" - cobrou Vanderlei. "Eu vou visitar uma com a Sandra.. Voces querem ir?"

"Como assim, 'Ir a Igreja?' Não se VAI à Igreja. Se É Igreja." observou Pedrinho.

"Ah tah... É que hoje a gente fala assim sabe? Igreja pode ser o nome do galpão ou da denominação..."

"Denominação?" perguntaram os três homens do passado, em uníssono.

"É complicado de explicar... São pessoas que pensam diferentes mais são cristãs. Que nem vocês, Lutero e Calvino."

"O careca ali discordou de mim foi?" falou Lutero brincando com Calvino.

"Tá tarde. Bora pra igreja pessoal. Quer dizer... Vamos ser Igreja... er... vamos nos reunir como igreja lá num galpão de uma denominação ali."

"Relaxa" falou Lutero.

Capítulo 3.

Sentiram-se a vontade no começo do culto.

Pedro dançava empolgado durante o louvor. Lutero adorava emocionado. Calvino tomava notas em seu bloquinho."

"Olá meus irmãos, eu sou o Ministro de Louvor. Tô vendo daqui que tem muitos irmãos parados. Voces tao aqui pra adorar ao Senhor. Crente que é crente adora ao Senhor com espontaneidade. Quando o ministro fala "levanta a mão" levanta.... O irmão aí, tá com os braços cansados?" Perguntou o ministro olhando pra Calvino.

"Digamos que meu conceito de 'espontaneidade' seja diferente do seu" - respondeu em voz alta.

"Quê isso irmão? Que crente é esse que quando fala o nome de Jesus num sai pulando de felicidade? Crente que ama Jesus TEM que levantar as mãos. Dá um glória a Deus aih.... Dah um brado de vitória!" Respondeu o ministro seguido de uma cacofonia de gritos 'de júbilo'.

Após o louvor, um jovem pastor se levantou para fazer a cobrança dos dízimos e das ofertas. Solicitou que acompanhassem no livro de Malaquias, capítulo 3, versículo 10.

"Irmão... meu irmão...", começou o pregador.. "Eu vejo tanta gente pedindo as bênçãos do Senhor, mas quando vai vê, num é dizimista. ACHA que Deus vai abençoar?

Continua assim pra ver.. que quando Jesus voltar nóis sobe e tu fica. Dízimo é MANDAMENTO. Começa a dar o dízimo pra ver se nao vai cair as bençãos do céu pra você!!!"

O ministro passou 25 minutos explicando a necessidade do dízimo. Pedro observava chocado. Lutero estava vermelho e uma veia saltava de sua testa. Calvino tomava notas.

"Da Silva... Você não falou que o Templo foi destruído? Por que eles tão cobrando dízimos aqui? Tão pensando em reconstruir o Templo?" estranhou Pedro.

"Da Silva.. Você não me disse que a "Reforma Protestante", como voces chamam, funcionou? Por que continuam com cobrança de indulgências?!" reclamou Lutero.

"Da Silva... A caneta tá falhando." pediu Calvino.

Da Silva pediu para que aguardassem a pregação principal, a seguir (e entregou uma caneta nova pro Calvino).

O pastor seguinte levantou abriu sua Bíblia.

"Gostaria de dar seqüência a série de mensagens que comecei há dois domingos. Os irmãos que desejarem poderão adquirir os vídeos das mensagens na Livraria da Igreja por um preço simbólico. O tema do sermão de hoje é "Se Crerdes Verás a Glória de Deus, Parte III. Abram a Bíblia em João 11:40".

"O João escreveu um livro, hehehe" falou Pedro baixinho...

O Pastor leu o texto. Depois se dirigiu a congregação. "O texto está dizendo que se vocês crerem, verão a glória de Deus."

"Me parece óbvio", observou o cético Rodriguez.

"E sabe o que quer dizer isso???? SE CRERDES VERÁS A GLÓRIA DE DEUS!!!!!!! ALELUIAS" - repetiu levantando a voz...

"Sabe que eu tava orando aqui e percebi que SE CRERDES VERÁS A GLÓRIA DE DEUS. OH GLÓRIAS!" O Pastor começou a gritar e a pular. "Levanta e aplaude ao SENHOR agora porque se crerdes veras a glória de Deus ooooooooooooh.... se crerdes, aleluias... " completou ofegante "verás a glória de Deus, APLAUDAM!"

Passaram-se 5 minutos de aplausos. Alguns preferiram aplaudir de pé. Outros aplaudiram sentados. Quando pararam o Pastor recomeçou e falou firmemente: "Se crerdes verás a glória de Deus!", ao que completou pau-sa-da-men-te: "Se crerdes, verás, a glória do Deus vivo!".

Depois de 40 minutos de repetições, entre aplausos e brados de vitórias, o Pastor fez uma confissão:

"Irmãos, devo confessar uma coisa pra vocês. Eu tinha me esquecido de preparar a mensagem hoje. Mas tava orando ali no meu canto e 'recebi' essa fresquinha. É quentinha vinda do forno dos céus agora... RECEBAM, oh aleluias. Se crerdes verás a glória de Deus!!! APLAUDAM".

Ao final do culto, depois da bênção apostólica, tocaram um 'louvor animado' e bradaram o grito de guerra da igreja. Vanderlei chamou o Pastor, que era um conhecido da família.

"Pastor, esse é Martinho, um amigo meu, professor de teologia."

"Cuidado com essas coisas de teologia irmão. É bom mas tem que vigiar. Querer virar teólogo é coisa dos infernos. Deus que dá a sabedoria. Mas diga lá... Se você é teólogo vou logo lhe fazer uma pergunta: O Dízimo tem que ser do rendimento bruto ou do rendimento líquido???"

"Não sei" respondeu Lutero com um olhar meio curioso, meio fulminante.

"Tá vendo só? O que que ensinam nessas escolas de teologia hoje em dia? Bíblia que não é... Vou te responder com uma pergunta: Você quer bençãos líquidas e bençãos brutas???" retrucou o pastor apreciando sua própria sabedoria com uma sonora gargalhada.

"Pedrinho, voce ainda tem aquela espada corta-orelhas?" perguntou Lutero ao apóstolo, deixando o pastor sem entender patavinas.

Enviada: Qua Ago 16, 2006 1:38 am Assunto:

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Capítulo 4.

O grupo heterogêneo decidira viajar para Belo Horizonte, numa Kombi, na manhã seguinte. Durante o percurso Lutero discorria sobre a Reforma.

"Minha intenção nao era formar uma nova 'igreja' e sim retornar aos princípios das Escrituras. Mas eu previa que a ruptura seria inevitável após a publicação das 95 teses. Fui um tanto ingênuo de pensar que o papa renunciaria sua soberania sobre a Terra."

"Mas olhe para o lado bom, Lutero. Agora nós os evangélicos vivemos plenamente as Escrituras. Acreditamos na salvação pela fé e não por obras e não damos valor para tradição em detrimento da Bíblia. Não há mais indulgências. Todos podem estudar a Bíblia. Não há a separação clero-laicato e cremos no Sacerdócio Universal do Crente" - defendeu Reinaldo Da Silva.

Lutero e Calvino se entreolharam duvidosos da declaração de Da Silva. "Você tava no mesmo lugar que eu ontem a noite?"

Da Silva não respondeu e ficou pensativo.

"Desculpem interromper,"- disse o Professor - " mas eu tava aqui analisando... Vocês três estão aqui e não houve nenhuma alteração no nosso presente, ou seja, futuro de vocês. Formulei algumas teorias para isso. A primeira teoria: "A máquina do tempo construída nos traz de volta exatamente ao tempo de origem e não a realidade alternativa gerada pelo impacto da ausência de vocês na história. Ou seja, não estamos no futuro de um mundo após o sumiço de Lutero, Pedro e Calvino, mas no mesmo tempo presente da partida. Eu acho essa a hipótese mais coerente."

"Talvez Deus tenha usado outros instrumentos para cumprir sua obra no nosso lugar" respondeu Calvino.

"Não. Vocês continuam nos livros de história. Eu chequei." declarou Rodriguez.

"Outra hipótese: vocês foram devolvidos ao tempo de vocês através do Máquina do Tempo, no exato tempo que saíram, não trazendo quaisquer modificações ao nosso tempo. É um pouco complicada pois presume que vocês foram devolvidos num futuro que ainda não aconteceu, simploriamente falando." - continuou o Professor.

"Se for verdade essa, Lutero, dedica um dos teus livros pra mim", gracejou Da Silva.

"Pessoal, quando chegar em BH, me levem no mar que eu quero pescar uns peixinhos" implorou Pedro.

"Não tem mar em Minas Gerais, Pedrinho" corrigiu Rodriguéz.

"Como??? Em Israel tinha mar!" choramingou Pedro lembrando-se de Sião.

"Na Alemanha tinha mar" concordou Lutero.

"Na França, onde nasci, tinha mar" acrescentou Calvino

"AINDA tem mar em todos esses lugares. Mas em Minas não tem pow" falou Rodriguez rispidamente

"Esse Deivid aí que vamos visitar.. Ele é americano?" perguntou o Professor. "O nome é americano".

"É não. É brasileiro mesmo." respondeu Da Silva.

"Calvino... Eu tava lendo na casa do Vanderlei uns textos seus. Voce acredita mesmo que foi predestinado a ser careca?" - perguntou Lutero rindo.

"Acho que sim Martinho. Mas posso disfarçar com meu chapéu. Compadeço-me de você que foi predestinado a ser feio."

Todos riram e a Kombi Wolks 1987 entrou nos limites de Belo Horizonte.

Capítulo 5.

"Vandãããããããão" - entusiasmava-se o exagerado Deivid ao abraçar Vanderlei, que viera junto dirigindo a Kombi. Apresentou-se a todos e apresentou sua esposa Jenifer, e seu filho João Ramon.

"Gente... Hoje vamos numa igreja de uma amiga minha em Contagem. Vai uma cantora aqui de BH, a irmã Ana." - convidou Jenifer.

"VÃO a Igreja?" - perguntou Pedro.

Calvino deu uma cutucada sutil e Pedro resolveu deixar pra lá.

Cada um tomou um banho. Pedro gostou muito do pão de queijo servido no jantar, mas vez por outra resmungava da ausência de mar.

A noite foram ao culto em Contagem (que Rodriguez chamava de 'roça') em dois carros.

Era culto de Ceia e Pedro estava animado com isso.

Todos desfrutaram do louvor. As palavras da ministra "Jó foi um homem que sofreu muito..." parecia ter um significado especial para Pedro.

Como era dia de Ceia a mensagem seria dada pelo Apóstolo Estevinho, fundador da denominação. Lutero olhou pra Pedro que deu de ombros.

O Apóstolo fez um relatório do crescimento da denominação. Solicitou maior empenho nos dízimos e ofertas para que a obra crescesse. Contou algumas piadas com fundo gospel. A seguir leu o texto de 1 Corinthios 11: 23-34.

Sua esposa, Bispa Tânia, assumiu a programação após a leitura. Mandou que os diáconos distribuíssem os copinhos de suco de uva. E que cada um aguardasse a ordem pra poder beber. Tocaram um cântico enquanto distribuíam.

"Todos receberam?" - Perguntou a bispa.

Ninguém se acusou e ela começou a falar com um timbre embargado na voz.

"Levante a tacinha de vocês... Olhe bem pra ela. Você sabe o que ela significa??" Perguntou em voz chorosa. Muitos se emocionavam ao ouvi-la.

"Significa que você venceu mais um mês! Mais um mês de santidade! MAIS UM MÊS DE VITÓRIA"

As pessoas iam glorificavam e deliravam. Alguns em estado de êxtase.

"Podemos participar."

Alguns segundos de silêncio se seguiram. Logo após um rompante de brados e choros.

A mesma rotina se seguiu com a distribuição e participação do pão.

Cantaram mais um pouco. Alguns "novos membros" da igreja foram apresentados. Alguns bebês foram apresentados. Avisos foram dados.

O mais incomodado com tudo isso era Pedro. Começou a discursar para nós, e um grupo de pessoas parou para ouví-lo.

"Eu me lembro muito bem. O Senhor Jesus, na noite em que foi traído, nos ensinou sobre isso. Mas algo não está certo."

"Sabe... Jesus nos ensinou a cerca de uma Nova Aliança. Uma vez ele falou sobre isso com um grupo de fariseus que conviviam conosco." - continuava Pedro.

"Eu percebo que vocês aqui não entendem muito o conceito de Aliança. Já no nosso tempo isso havia se perdido. Nós líamos na Torah que Deus havia feito uma Aliança com nosso pai Abraão."

"Se vocês abrirem no capítulo 15, verão que o próprio Deus andou no meio de animais mortos para consolidar uma aliança. Isso era muito comum naquela época em toda a região da terra de Canaã e vizinhança. Era um termo de Aliança. Quando duas pessoas ou povos faziam uma aliança, cortavam animais e passavam entre eles dizendo:

"Que se suceda comigo como a estes animais se quebrar contigo a minha Aliança". E eu ouvia esse texto e me perguntava: "Por que o Todo-Poderoso se sujeitou a termos de aliança tão... humanos." O Profeta Jeremias menciona os mesmos termos de Aliança. Séculos mais tarde ainda era uma prática comum (Jer. 34:18)."

"Foi quando Jesus apareceu a mim. Eu percebi que o mesmo Deus que firma um pacto com o homem se sujeitando aos seus próprios termos, agora chegara ao absurdo de se fazer homem, e nascer numa manjedoura! Foi quando naquela tarde ele começou a falar sobre sua Nova Aliança com o grupo de fariseus. Ele usou termos fortes como "comer minha carne, beber meu sangue". Muitos ali foram embora murmurando "duro é esta Palavra". Haviam povos pagãos que faziam aliança nestes termos.

Comiam carne e sangue humanos para selar a aliança. Foi quando Ele olhou pra mim... Ele olhou para dentro de mim e perguntou: "Voces tambem querem se retirar?"

"Eu sabia que ele estava me propondo uma Aliança. E como judeu eu tinha consciência que Aliança é um pacto inquebrável. Tudo que é meu se torna dele. Tudo que é dEle se torna meu. Para sempre. "Para quem eu iria, Senhor... Se só tu tens as Palavras de vida Eterna?", eu respondi, e me entreguei completamente a aliança proposta."

"Quando na noite que foi traído ele nos disse "Este cálice é a nova Aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim..", todos nós imediatamente compreendemos. E muitas vezes celebramos em memória do nosso Senhor, com os elementos dos termos da Aliança que nos foi proposta. E reafirmamos nosso pacto eterno com nosso Salvador."

"Não é celebrando 'mais um mês de vitória'. Não é pra lembrar que 'eu venci mais um mês em santidade'. Pelo contrário: É para lembrar que eu perdi. Que meus próprios caminhos me levavam à morte. Mas Ele, aliançado conosco, morreu a morte que era nossa, e nos entregou a Sua Vida."

"Por um minuto eu achei que tinha saído alguma coisa errada na Bíblia de vocês. Parecia que estava escrito: "Fazei isso em memória de si mesmo, da sua própria vitória. Examine, pois, o homem ao seu irmão. Verifique se ele fez curso de batismo, se batizou, frequenta os cultos e isso que voces chamam de células, se é dizimista e se ele não dormiu com a namorada. Caso contrário, este não deve participar da ceia, senão vai se dar mal. Após beberdes, chorai ou bradai em alta voz."

"Mas não... Tá tudo como foi falado mesmo."

Lutero acenou com a cabeça e disse que nunca tinha parado pra pensar sobre a Ceia de uma forma tão simples e ao mesmo tempo tão profunda.

Um dos líderes chegou para Pedro e perguntou o motivo da movimentação.

"Olá Pastor", respondeu Pedro. "Eu estranhei algumas coisas que aconteceram aqui esta noite".

"Ah... perfeitamente normal. Você já passou pelo Encontro?"

"Hã?"

"O Encontro com Deus. Você vai num acampamento e fica três dias com o Senhor."

"Eu ando diariamente com o Senhor", respondeu Pedro.

"Tô vendo que tem muita maldição pra quebrar na tua vida. Rebelião é igual pecado de feitiçaria irmão."

O Pastor olhou para Calvino e Lutero e perguntou se eles gostaram do culto.

"Ah... sabe o que é Pastor. Eu tô ficando um pouco decepcionado com as 'igrejas' que eu tenho ido."

O Pastor respondeu compreensivamente. "Eu sei como é meu irmão. Toda a igreja tem problemas. Não tem nenhuma igreja perfeita. Você tem que se adaptar em uma e viver com isso. Sempre ouça o que o Pastor ou líder, homens de Deus, tem a dizer, sem questionar. Aprenda o princípio da Autoridade Espiritual. Você não pode ficar sem cobertura.

"Pastor... se eu pensasse dessa maneira, o sr não estaria aqui hoje." respondeu Lutero.

"Meu jovem... Não entendi o que voce quis dizer, mas vou te dar um conselho: vá ler a Palavra."

No caminho de volta para BH, da Silva conversava com os teólogos do século XVI.

"Eu tava pensando no que voces falaram e é verdade. A coisa não anda muito legal por aqui não. O que eu faço?"

"Siga o conselho daquele Pastor: leia a Palavra." respondeu Lutero.

"Comece a reforma a partir de você", completou Calvino.

"Eu acho que..." - Pedro entrou na conversa - "acho que você precisa viajar "de volta para o passado". Mas sem a máquina do tempo. Quero dizer... Volte aos princípios que orientaram os meus colegas do século XVI. Volte a simplicidade do Ser Igreja e não do Ter Igreja. Em Jerusalém, da comunhão dos que creram era só um o coração. E isso se espalhou até os confins da terra."

Capítulo 6.

Chegaram na casa de Deivid.

"Professor... Eu estive pensando na sua segunda hipótese. Se enviarmos os caras do passado pra mesma hora que eles saíram, o conhecimento que eles tiveram do futuro, por si só geraria uma mudança no comportamento deles, e do futuro em si.", observou Rodriguez.

"Talvez, meu jovem."

"Como assim, 'talvez?'”

"Deus conhece o futuro. Ele não se limita a Tempo e Espaço, como nós. Ele se insere no nosso tempo ao longo da história. E já conhecendo o futuro em sua onisciência, permite que o homem tome suas próprias decisões. É o que alguns teólogos chamam de 'livre-arbítrio'. Não confunda pré-conhecimento com pré-determinação."

"Há controvérsias." retrucou Calvino.

"Professor... não vai me dizer que o senhor também acredita em Deus? Vocês são homens cultos.." - falou Rodriguez olhando para o grupo. "Como é que podem acreditar nesse livro que não passa de um conjunto de lendas?"

"Rodriguez... Leia esse Livro" respondeu Lutero. "Um dia eu procurava respostas, como você, e as encontrei aí."

"O mesmo aconteceu comigo" declarou Calvino.

Rodriguez pegou a Bíblia e foi ler. Os outros foram comer pizza e conversar sobre "Missões". Ele sabia qual era o capítulo mais longo da Bíblia. Ouvira Calvino comentando. E foi pelo Salmo 119 que começou sua leitura.

'Bem-aventurados os que trilham com integridade o seu caminho, os que andam na lei do Senhor! Bem-aventurados os que guardam os seus testemunhos, que o buscam de todo o coração, que não praticam iniqüidade, mas andam nos caminhos dele!' (Psa 119:1-3)

Rodriguez aprendera a odiar os absolutos. "Certo e Errado". "Bom e Mau". E o Livro que ele lia agora se apresentava como uma cerca que dividia e definia o Certo e o Errado. Pela primeira vez em muito tempo ele vizualisou essa cerca. Sem cercas ele podia viver tranquilo. Era isso que o Cristianismo trazia mesmo. Culpa e escravidão.

Ele queria um mundo sem cercas. A medida que continuava a ler, percebia o quão perdido do lado ERRADO estava. "Quem é que gosta de um livro acusador desse?"

Resolveu saltar um bloco de páginas. Caiu em Romanos. "Lutero fala bastante de Romanos", pensou.

"Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós." (Rom 5:8)

Aquele versículo o atingiu como um raio. As palavras de Pedro e de seu professor, de um Deus todo-poderoso, criador de todas as galáxias, conhecidas ou não, se insere no nosso espaço-tempo, nasce em uma manjedoura, vive numa terra obscura de um pequenino planeta. Morre após tortura, em uma cruz. As mãos que formaram o mundo foram cravadas numa cruz. E o mais chocante: o versículo diz que Ele ama um pecador. Um perdido do lado errado da cerca! E que a cada martelada dos pregos romanos de 6 polegadas, Ele podia escolher fulminar o exército Romano ou se entregar por aquele perdido.

Rodriguez continuou lendo durante toda aquela noite.

Ao amanhecer, Deivid trouxe leite recém ordenhado de suas vacas leiteiras. "Bom dia meu jovem, exclamou".

Rodriguez tinha seus olhos inchados.

"Oi Deivid, cadê o Professor?"

"Jogando PlayStation com o Calvino".

Rodriguez interrompeu o jogo.

"Oi Juan. Acho que chegou a hora de dizer tchau a nossos amigos do passado. Já estão a um certo tempo aqui. Compartilharam do seu conhecimento conosco. Vou enviá-los de volta." declarou o professor.

"Professor. Eu aprendi que um experimento científico válido pode ser repetido em qualquer outro ambiente de laboratório controlado. Ontem, enquanto lia a Bíblia, senti algumas coisas que eu não conseguia explicar com minha objetividade científica. Eu cheguei então ao Evangelho de Lucas, após a ressureição de Cristo. Dois discípulos caminhavam até Emaús quando Jesus conversou com eles e depois se revelou a eles. "E disseram um para o outro: Porventura não se nos abrasava o coração, quando pelo caminho nos falava, e quando nos abria as Escrituras? " E eu pude reconhecer que era isso que acontecia comigo naquele exato momento. Meu coração se abrasava... queimava, ardia. Eu vi que o mesmo Jesus que se revelou aos dois discípulos a 2 mil anos atrás, falava comigo hoje. E no laboratório do meu coração eu experimentei a mesma sensação que aqueles homens. Naquele momento eu falei a Jesus Cristo que faria a Aliança Eterna com Ele. Que tomaria do Seu Sangue e comeria da Sua Carne. Ele se apresentou a mim e eu não precisei voltar ao passado para conhecê-lo. Ele estava aqui"

"E a sua decisão no presente certamente mudou seu futuro" acrescentou Calvino.

"Foi o mesmo comigo, com Da Silva, com Calvino ou com Pedro, caro Rodríguez. O amor de Deus é imutável. E nos alcança ao longo dos séculos, mudando a nossa história e a História."

Lutero, Calvino e Pedro voltaram a seus anos de origem. Despediram-se emocionados, sabendo que tinham um amigo em comum, que estaria com eles todos os dias, até a consumação dos séculos.