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domingo, 5 de setembro de 2010

A parábola do bar


Dois amigos que há muito tempo caminham e conversam juntos decidem parar para descansar.
Olham ao redor e percebem que próximo deles tem apenas um bar e resolvem entrar lá.
Dentro do bar, percebem que todos estão bêbados.
O garçom chega e pergunta:
- O que vão querer?
Eles respondem:
- Apenas um refrigerante para cada.
O garçom não entendeu muito bem, pensou que era piada e perguntou novamente.
- Vão tomar refrigerante? Não querem uma cerveja?
- Não senhor, queremos refrigerantes!
Algumas pessoas que estavam em volta perceberam que os dois estranhos pediram apenas refrigerantes e também estranharam e voltaram seus olhares para o diálogo.
- Estão zoando comigo? Vocês não percebem que todos neste bar estão tomando cerveja? Por que não pedem uma cerveja também? - Falou o garçom em tom de voz mais alto.
- Senhor, queremos apenas tomar nosso refrigerante e descansar um pouco para que possamos voltar a nossa caminhada, não bebemos cerveja.
Mais olhares se voltam aos dois amigos sentados na mesa e dessa vez não era apenas o garçom que estava zangado com eles, mas os outros ocupantes do bar também.
Alguns questionaram:
- Vocês estão bêbados? Como entram num bar onde só se bebe cerveja e pedem refrigerante? Só podem estar bêbados!
Os dois amigos não entenderam muito bem, afinal de contas eram os únicos sóbrios naquele lugar. Até o garçom estava bêbado. "Como poderíamos estar bêbados se pedimos refrigerantes?" pensavam eles.
Nesse instante, todos do bar já estavam revoltados com aquelas duas figuras "bêbadas" que só bebiam refrigerante.
- Ou bebem cerveja ou podem sair do bar agora! - Disse o garçom em tom agressivo.
Os dois se levantaram da mesa e preferiram ir embora cansados e com sede.
No bar, eles comemoraram a vitória sobre os dois bêbados com uma rodada grátis de cerveja e felizes porque todos ali estavam sóbrios e se entendiam perfeitamente bem.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Meu armário de tralha gospel

Quando eu era evangélico, recebi diversas orações com variedades de unção.
Era unção pra tudo quanto é tipo de coisa.
Fora isso, também recebia as profecias e revelações.
Uma vez eu recebi a "unção de Davi" (será que era pra pegar mulher casada?); unção de levita (acho que só o Coperfield sabe usá-la).
Recebi profecias dizendo que eu viajaria o mundo pra pregar o evangelho.
Muita gente me viu em grandes igrejas, grandes palcos, multidões...
Pra isso, eu precisava receber um tanto de unção especial.
Precisava ser mais que um garoto com uma bíblia na mão.
Uma vez um cara disse que viu uma grande bíblia de ouro sendo entregue a mim, e eu estava recebendo ali a unção da palavra.
Outra vez foi um cajado de ouro.
Quem me dera eu tivesse tanto ouro assim... Me sentia um shake das arábias ou simplesmente um rapper gringo só que sem as mulheres.
Tiveram outras, mas a memória não puxa mais essa fase triste.
Li nos evangelhos um Cristo simples de costumes simples, bastante humano e com amor de um Deus dentro de si.
Li que ele escolheu homens sem capacidade alguma, habilidade nenhuma e nem ideia da proporção que era aquilo tudo.
Eles receberam a instrução de Cristo e só precisaram de uma unção para pregar ao mundo as boas novas do Reino.
O que fiz com tudo o que recebi?
Joguei num armário de tralha gospel que criei pra guardar tudo o que não precisava mais.
Decidi que apenas a mensagem que dEle recebi importava e era só o que devia ensinar.
Se vou viajar o mundo inteiro pra isso, pouco importa... Ele conhece os meus passos.
Se vou pregar pra um mar de gente? Acho que não e não tenho interesse.
Se aqueles que me conhecem puderem ver nesse ser humano imperfeito algo merecido valor e puderem ver Cristo aí, já é uma grande mensagem.
Que Cristo seja o único visto nos grandes palcos da vida... Não nesse palco dos homens, mas na vida, nas esquinas, nos presídios e hospitais, nas favelas e em todo lugar onde uma alma necessitada esteja.

sábado, 21 de agosto de 2010

O "Modus Operandi" de Jeová e de Cristo

Todos os que me conhecem sabem que eu tenho um pequeno problema com Jeová.
Não consigo visualizá-lo como sendo o mesmo Cristo dos evangelhos.
Acredito que Cristo revela quem é o Pai e qual é sua vontade para os homens.
Vou tentar exemplificar o que penso a respeito desse assunto com uma ilustração:

Um aluno faz uma prova e sua nota é 0.
Jeová lida com a situação da seguinte maneira:
Mata o aluno, os pais do aluno, os irmãos do aluno e toda a parentela do aluno.

Jesus lida com a situação da seguinte maneira:
Adverte o aluno que as notas baixas não darão a ele uma boa perspectiva de futuro.



sexta-feira, 25 de junho de 2010

Duas razões pra se admirar o Budismo

1
"Não creiais em coisa alguma pelo fato de vos mostrarem o testemunho escrito de algum sábio antigo. Não creiais em coisa alguma com base na autoridade de mestres e sacerdotes. Aquilo, porém, que se enquadrar na vossa razão e, depois de minucioso estudo, for confirmado pela vossa experiência, conduzindo ao vosso próprio bem e ao de todas as outras coisas vivas : A isso aceitai como Verdade. Por isso, pautai a vossa conduta."
( Sidarta Gautama, 500 A.C.)


O que Sidarta diz é parecido com "Amar ao teu próximo como a ti mesmo".


2

Uma vez perguntaram a Dalai Lama:

- O que mais o surpreende na humanidade?
E ele respondeu:
- Os homens que perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido...

Ninguém está seguro

Não estamos seguros!

Nada está seguro!

Segurança não existe! 

Pelo menos, não como a maioria dos que conheço estão acostumados a configurá-la.

Pense comigo....

Quando desejamos segurança, o que exatamente estamos querendo? Falando por mim, o que chamo de segurança tem a ver com estabilidade e manutenção de bens, sejam materiais ou não (se é que existe algo imaterial). Tem a ver com garantias de continuidade. Quando falo em segurança, de primeira mão, me parece ter a ver com não ser assaltado ou furtado, não ser agredido ou violentado e continuar vivendo com o máximo de minhas possibilidades, físicas/mentais, disponíveis e atuantes.  Esse é o meu conceito básico, assim como o de muita gente.

Agora reflita com acuidade e franqueza, e responda para si mesmo: quem, em todo o mundo, pode GARANTIR essas coisas? Ou pior: quem, em todo o mundo, pode GARANTIR QUALQUER COISA? Plena ausência de dúvidas.... Certeza irredutível e invariável...?

Segurança tem ligação direta com continuar vivo... mas quem pode garantir mais um dia de vida?

Suponho que o problema está justamente no fato de que, pelo que parece, não temos garantia alguma de permanecer. Não temos garantias...


No fim das contas, a vida é sempre uma questão de fé.

domingo, 20 de junho de 2010

A marca da Besta

Em 70 dc, 25 anos após a morte de Jesus o imperador romano Tito devastou Jerusalém, destruindo o Templo principal pela primeira vez. A idéia era acabar com os judeus contrários à presença romana, o que ele conseguiu com relativo sucesso.
Porém, Jerusalém foi reconstruida aos poucos e em 105 dc, João escreve o seu livro do Apocalipse, baseado em outros escritos que circulavam na Judéia, porém associando fortemente os seguidores de Paulo aos conquistadores romanos.
Naquele momento a igreja cristã que chamamos de primitiva estava dividida entre seguidores de Pedro, de Paulo e os que seriam chamados de gnósticos, fiéis aos ensinamentos de Jesus.
Em 130 dc, com Jerusalém já reconstruida, Adriano, imperador romano da época resolve reformar Jerusalém e transformá-la em uma cidade de aparência grega. Destroi o templo mais uma vez e em seu lugar ergue uma estátua de Zeus e no Gólgota (onde Jesus foi crucificado) ergue uma estátua de Afrodite.
Em 131 eclode uma rebelião de judeus insatisfeitos, liderada por Simão, que se intitulava o Filho de Davi. Entre 131 e 136 os judeus foram perseguidos e dizimados. Homens, mulheres e crianças. Ao ganhar finalmente a guerra, em 136 dc, Adriano deu a seguinte opção os judeus que sobraram: Ou serem vendidos como escravos ou permanecerem em Jerusalém, negando completamente a sua identidade e abdicando de qualquer autonomia . Eis o cumprimento da profecia presente em todos os apocalipses que circulavam naquela época: para poder viver na Judéia, os judeus tinham que imprimir na testa (negando a sua identidade) e na mão (Abdicando da autonomia - inclusive financeira) a marca da besta (Adriano).
A grande prostituta nada mais é do que a igreja cristã romana que permaneceu ao lado de Roma na destruição de Jerusalém e influenciando as outras igrejas gentias que inclusive, não receberem judeus que fugissem de Adriano.
Adriano, após a expulsão dos judeus, mudou o nome da região para Palestina, em homenagem aos filisteus, que já habitavam a Judéia antes dos judeus. O judaismo perdeu força como identidade nacional e permaneceu assim até o surgimento do sionismo no século XIX.
A igreja cristã usa o Apocalipse de João como forma de amedrontar os fiéis desde o seu surgimento, já tendo eleito inúmeros anticristos e inúmeras bestas ao longo da história. Nada mais é do que uma lembrança do terror apocalíptico de Pedro, para fazer conversões pelo medo.
Quem quiser saber a opinião do Cristo sobre tudo isto, leia com atenção o sermão profético, onde ele relata exatamente a destruição de Jerusalém por Adriano mas é bem claro: isto é apenas o princípio das dores.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Deus não existe

Deus não existe. Ele é Ele mesmo pra além de toda essência e existência. Portanto, argüir acerca da existência de Deus é o mesmo que negá-Lo.

Deus não existe. Ele é. Eu existo. Pois existir não é algo que seja pertinente ao que É. Existir é o que se deriva do que sendo, É de si e por si mesmo.

Deus não existe. O que existe tem começo. Deus nunca começou. Deus nunca surgiu. Nunca houve algo dentro do que Deus tenha aparecido.

Deus não existe. Se Deus existisse, Ele não seria Deus, mas apenas um ser na existência.

Se Deus existisse, Ele teria que ter aparecido dentro de algo, de alguma coisa, e, portanto, essa coisa dentro da qual Deus teria surgido, seria a Coisa-Deus de deus.

Existem apenas as coisas que antes não existiam. Existir surge da não existência. Deus, porém, nunca existiu, pois Ele é.

Sim, dizer que Deus existe no sentido de que Ele é alguém a ser afirmado como existente, é a própria negação de Deus. Pois, se alguém diz que Deus existe, por tal afirmação, afirma Deus, e, por tal razão, o nega; posto que Deus não tem que ser afirmado, mas apenas crido.

Deus É, e, portanto, não existe. Existe o Cosmos. Existem as galáxias. Existem todos os entes energéticos. Existem anjos. Existem animais e toda sorte de vida e anima vivente. Existem vegetais, peixes, e organismos de toda sorte. Existem as partículas atômicas e as subatômicas. Existe o homem. Etc. Mas Deus não existe. Posto que se Deus existisse dentro da Existência, Ele seria parte dela, e não o Seu Criador.

Um Criador que existisse em Algo, seria apenas um engenheiro Universal e um mestre de obras cósmico. Nada, além disso. Com muito poder. Porém, nada além de um Zeus Maior.

Assim, quando se diz que Deus está morto, não se diz blasfêmia quando se o diz com a consciência acima expressa por mim; pois, nesse caso, quem morreu não foi Deus, mas o “Deus existente” criado pelos homens. Tal Deus morreu como conceito. Entretanto, tal Deus nunca morreu De Fato, pois, como fato, nunca existiu — exceto na mente de seus criadores.

Assim, o exercício teológico, seja ele qual for, quando tenta estudar Deus e explicar Deus, tratando-o como existente, o nega; posto que diz que Deus existe, fazendo Dele um algo, um ente, uma criatura de nada e nem ninguém, mas que também veio a existir dentro de Algo que pré-existia a Ele, e, portanto, trata-se de Algo - Deus sobre o tal Deus que existe.

A Escritura não oferece argumentos acerca da existência de Deus. Jesus tampouco tentou qualquer coisa do gênero. Tanto Jesus quanto a Escritura apenas afirmam a fé em Deus, e tal afirmação é do homem e para o homem — não para Deus —; pois se fosse para Deus, o homem seria o Deus de Deus, posto a existência de Deus dependeria da afirmação e do reconhecimento humano. Tal Deus nem é e nem existe; exceto na mente de seus criadores.

Deus não existe. O que existe pertence ao mundo das coisas que existem OU não existem. Deus, porém, não pertence a nada, e, em relação a Ele, nada é relação.

Defender a existência de Deus é ridículo. Sim, tal defesa apenas põe Deus entre os objetos de estudo. Por isto, dizer: “Deus existe e eu provo” — é não só estupidez e burrice; mas é, sem que se o queira, parte da profissão de fé que nega Deus; pois se tal Deus existe, e alguém prova isto, aquele que apresenta a prova, faz a si mesmo alguém de quem Deus depende pra existir... e ou ser.

O que “existe”, pertence à categoria das que coisas que são porque estão. Deus, porém, não está; posto que Ele É.

Ser e estar não são a mesma coisa, como o são na língua inglesa. O que existe pertence ao que é apenas porque está. Deus, entretanto, não está porque Ele É.

E quem direi que me enviou?” — perguntou Moisés. “Dize-lhes: Eu sou me enviou a vós outros!” — disse Ele.

Desse modo, Deus não diz “Eu Estou”, mas sim “Eu Sou”. Ora, um Deus que está, não é, mas passou a ser. Porém o Deus que É, mas não está; não pertence ao mundo das coisas verificáveis; posto que Aquele que É, não está; pois se estivesse, seria —, mas não Seria Aquele de Quem procedem todas as existências, sendo Ele apenas um ele, e não Ele; e, por tal razão, fazendo parte das coisas que existem — mas sem poder dizer Eu Sou!

Jesus também falou da sutileza do ser em relação ao estar. Quando indagado acerca da ressurreição pelos saduceus (que não criam em nada que não fosse tangível), Ele respondeu: “Não lestes o que está escrito? Eu sou o Deus de Abraão, eu sou o Deus de Isaque, eu sou o Deus de Jacó. Portanto, Ele é Deus de vivos, e não de mortos; pois para Ele todos vivem”. Assim, os que vivem para sempre são os que são em Deus, e não os que estão existindo. A vida eterna não é existir pra sempre, mas ser em Deus.

Assim, para viver eternamente eu tenho que entrar na dissolvência da existência, a fim de poder mergulhar naquilo que está pra além do que existe; posto que É.

A morte pertence à existência. A vida, porém, se vincula ao que não existe, pois, de fato É.

O que existe carrega vida, mas não é vida. A vida, paradoxalmente, não pertence ao que é existente, mas sim ao que É.

Quando falo de vida, refiro-me não às cadeias de natureza biológica que constituem a vida dentro da existência. Mas, ao contrario, ao falar em vida, refiro-me ao que é para além da existência constatável.

Ora, usando uma gíria de hoje, eu diria: Tillich tem razão quando diz: “Deus não existe!” — pois é isto que hoje se diz quando algo está pra além da existência: “Meu Deus! Esse cara não existe!”. Assim é com Deus: Não existe! Pois é de-mais!(REVERENDO CAIO FÁBIO)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O Rico e o Mendigo



- Como ousa me pedir mais? Que ridícula audácia é essa a que tem se permitido? Acaso não tem memória ou é mesmo o bom senso que lhe falta? Ora, lave esses olhos ou arranque-os de uma vez. Parecem sem utilidade. Tolo, esqueceu de onde veio? Foi num deserto que te encontrei tal qual um lagarto, sob o pó do chão seco, pisado e sem bem algum. Bem nenhum mesmo, pois que nem a vida parecia lhe valer alguma coisa. Nem a ti nem a qualquer outro. Era um defunto que ainda respirava, sendo lentamente enterrado ao curso de anos numa cova de solidão e apatia, sob os pés e indiferença dos que te viam sem enxergá-lo. Mas eu o enxerguei. O apresentei à minha família que lhe recebeu como igual. Te fiz sentar entre os meus irmãos. Dividiu o prato dos meus filhos. Em suas mãos confiei autoridade e responsabilidades cabíveis, para que ganhasse independência, maturidade e honra. Então agora, como você é capaz de ignorar a tudo isso? Não percebe que a sua atitude beira o deboche? Eu mesmo com minhas mãos te banhei, tratei suas feridas, te vesti e ensinei. Mas você que veio do nada, ainda não se dá por satisfeito. Escolheu não crescer, mesmo sendo educado pelos melhores e tendo sido respeitado por todos. Repete, assombrosa e insuportavelmente, os mesmos erros. E hoje me aparece, mais uma vez, pedindo mais. Mais. Mais o que? O que mais você espera de mim? Já não me desfiz o suficiente daquilo tinha para que você também tivesse? Já não dividi minha vida com você? E veja que nunca lhe pedi nada em troca. Acaso pensa que não sofro com a sua preferência pelo fracasso? Com a sua insistência num comportamento infantil e autovitimado? Como ousa? Como se atreve a voltar a mim? E justo eu. Explique-se.


- É porque no fim das contas, quando erro mais uma vez, você sempre é tudo o que tenho. Me perdoe.


...


- Espere! Não vá ainda. Olhe aqui, ainda posso te ajudar. Sim... eu ainda posso. Tenho como conseguir um novo emprego para você. É uma vaga disponível que estava sendo guardada há algum tempo. Sem dúvida, você se sentirá muito bem lá. E eu mesmo o recomendarei.


- Mas... Pensei que... Por que ainda me ajudaria? Já não lhe ofendi o suficiente? Por que, então...


- É porque o amo. E também porque no fim das contas, quando você errar mais uma vez, e sei que vai errar, eu ainda serei tudo o que você tem.



sábado, 30 de janeiro de 2010

De Olhos Fechados



Você já experimentou andar de olhos fechados? Lembro que quando criança fazia isso com alguma freqüência. Eu achava incrível a possibilidade de reconhecer o espaço inibindo a capacidade da visão e explorando os outros sentidos. Lembro que o temor era pequeno e capaz apenas de me divertir. Não havia grandes riscos. Nada seria mais perigoso que uma topada de leve ou derrubar algum vaso da sala. Naturalmente que a minha mãe não gostava dessa última possibilidade. Mas em algum momento aquilo tudo cansava. Aquele jogo exigia uma cautela constante e eu sabia que se abrisse os olhos – e podia fazê-lo assim que desejasse – tudo estaria lá, tal como deixei, e as possibilidades voltariam a ser mais práticas e confortáveis.

Já adulto, aprendi outro jogo, muito simples, mas que lembrava em quase tudo a brincadeira de criança. O mesmo se estabelece na relação de dois indivíduos: um condutor e um conduzido. O condutor comanda o ritmo e a direção da outra pessoa, levando-a aonde lhe parecer mais interessante, dentro de uma sala cheia de obstáculos. O conduzido permanece o tempo todo de olhos fechados, mas pode abri-los assim que desejar. No entanto, espera-se que o mesmo nunca abra seus olhos. Obviamente não se trata de uma disputa, mas sim de um exercício de cuidado e confiança.

No fim das contas, ambos os jogos lidam, basicamente, com o mesmo elemento: a fé. Trata-se de acreditar mesmo sem ver. É pisar sem exata referência prévia. É se permitir levar aonde não se sabe, sob risco constante, e acreditar que acabará ileso. É confiar. É esperar com bom ânimo.

Essa parece uma boa metáfora para a vida de todo aquele que caminha em fé, e nela respalda sua vida. A grande diferença é que, na vida, os riscos são enormes e o que está e jogo pode ser vital. Entretanto, a fé exige que feche os olhos aquele que já conhece o perigo, e que encontre descanso em confiar nAquele que o conduz.

Jeremias talvez dissesse: Desafortunado é o homem que deposita sua confiança em sua própria humanidade, fazendo dela a sua força.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

A Marca da Promessa

"Eles vão comprar o mundo.
Um dia o mundo será comprado pelos pastores evangélicos."

Foi isso que pensei depois de ter lido que o Pastor Silas Mala-faia comprou um jatinho particular.
E vai ser assim:
-Eles vão lançar uma marca única e vão dar algum nome profético pra essa marca, talvez a Marca da Promessa.
Sim, Marca da Promessa é bastante chamativo, comercial, espiritual e já tem até musiquinha.
Eles vão dizer que a Marca da Promessa é revelação divina.
Que Deus os orientou a dizer ao seu povo que utilizasse a Marca da Promessa para comprar e doar suas ofertas e dízimos.
Eles vão monitorar todos aqueles que aderirem a Marca da Promessa.
Vão dizer para os fiéis que quem não fizer uso da Marca da Promessa estará sentenciado ao inferno, não é filho de Deus, não tem parte com o Pai, e todo aquele discurso manjado.
Os fiéis receberão um sinal em seu corpo, uma marca.
E quem não receber, será castigado, será humilhado, odiado, desprezado, será tratado como incrédulo, indiferente, indigno, sem merecimento.
E vai ser assim, ou pior, quem sabe?

PS: Eu também tenho o direito de viajar as vezes, e nem precisei de avião pra isso!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Angústia



Oh meu coração, como sangras
como sofres minha alma triste
que escuridão, nunca assim me viste
caminhando por caminhos sem direção
caminhos incertos, indecisão.
O que procuras? O que acharás?
Nunca em mim vistes tamanha paixão
mas como amar, se não ver-te-eis serás ilusão?
Fraquezas do coração!
E tu, o que deveras sentes?
O amor reconhece-te a uma alma ausente
como és grande este inferno de amar
vivendo a procurar, com medo do que achar
és tão amarga, solidão
tão amarga pra ti coração
vos sois que consome em paixão
O que será de mim?
O que será de ti?
oh almas errantes; como dói os cravos de tua punição
como queima estas chamas
fogo de uma paixão
até quando duraste?
tu, vela da imaginação...

Simone Ferreira

domingo, 16 de agosto de 2009

Campanha do amor ao próximo



Quinta passada, fui visitar um velho amigo em seu trabalho.
É um cara que admiro muito pela sua sinceridade, simplicidade e humildade, além da sua grande sabedoria e visão do Reino de Deus.
Então, falávamos sobre o Reino de Deus, quando ele disse algo que me atraiu a atenção:
-"As igrejas estão aí anunciando diversas campanhas para diversas finalidades. Por que a igreja não promove a Campanha do Amar ao Próximo como a ti mesmo? Quem é o próximo? É qualquer um, de preferência o mais necessitado de todos eles e não precisa ser crente para ser o próximo, precisa apenas ser alguém, uma pessoa como eu também sou!"
Claro que as palavras usadas por ele não foram precisamente essas, mas o sentido é plenamente esse.
Então, fiquei imaginando que no lugar da Campanha da Prosperidade, onde o interlocutor anunciasse que haveria a necessidade de dar uma oferta especial para que a benção financeira fosse liberada para a vida dos fieis, que então, ele dissesse que na próxima semana iniciariam a Campanha do Amor ao Próximo!
- Como ela funciona? - Alguém provavelmente questionaria em sua mente (se não todos ali presentes).
Ela funciona assim:
Cada pessoa que participa, sairia pelas ruas a procura de alguém necessitado, seja de casa, comida, remédios para tratamento de sua enfermidade, o que fosse a necessidade do próximo.
Então, você levaria essa pessoa para a sua casa e ajudaria ela até que suas necessidades fossem sanadas.
Daria amor e se colocaria na vida dessa pessoa como se fosse seu amigo mais próximo, como se fosse seu irmão, capaz até de morrer por ela, mesmo que você nunca tivesse visto essa pessoa antes em qualquer lugar que não fosse ali, naquela oportunidade.
Imaginei, como naquele filme "Corrente do bem", que isso pudesse espalhar e consumisse o mundo todo. As pessoas achariam aquilo revolucionário, um frenesi, e quando fossem nos questionar sobre a origem daquela corrente, diriamos apenas que estamos colocando em prática o que Cristo nos ensinou.
Mais e mais pessoas descobririam que era isso que procuravam a vida toda, que esse era o sentido da vida "amar ao próximo" e se uniriam a nós sem que nem precisássemos pregar com palavras o que era aquilo, seriam atraídas pelo amor.
Utopia? Talvez!
Mas é a forma como acredito que a vida deve ser vivida.
1 João 3:17 Mas aquele que tiver bens do mundo e vir seu irmão em necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como permanece nele o amor de Deus?

sábado, 15 de agosto de 2009

O Cristo Genérico e o Jesus Autêntico

Cristo Genérico: Milhões matariam por ele.
Jesus Autêntico: Milhões morreriam por Ele.

Cristo Genérico: Os fins justificam os meios.
Jesus Autêntico: Decreta os fins e estabelece os meios.

Cristo Genérico: A auto-estima acima de tudo.
Jesus Autêntico: O Amor acima de tudo.

Cristo Genérico: Os interesses pessoais como prioridade.
Jesus Autêntico: O Reino de Deus e a Sua Justiça.

Cristo Genérico: Multiplicar para concentrar recursos.
Jesus Autêntico: Compartilhar para espalhar recursos.

O Cristo Genérico é encontrado nas prateleiras dos mercados da fé.
O Jesus Autêntico é encontrado em nosso semelhante, principalmente nos marginalizados, nos excluídos, nos famintos.

O Cristo Genérico é um aliado dos poderes constituídos
Jesus Autêntico Se solidariza com os oprimidos

O Cristo Genérico está disponível nas catedrais da fé.
O Jesus Autêntico não se acomoda na suntuosidade dos templos.

O Cristo Genérico oferece milagres à granel
O Jesus Autêntico faz da vida um milagre.

O Cristo Genérico pede seu tudo, sem ter nada a oferecer
O Jesus Autêntico oferece tudo, sem nada lhe pedir

O Cristo Genérico busca ser bajulado.
O Jesus Autêntico é honrado quando colocamos em prática o que Ele ensinou.

O Cristo Genérico se contenta com mãos erguidas aos céus.
O Jesus Autêntico procura por mãos estendidas ao próximo.

Hermes Fernandes

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Relacionamento e submissão



Os relacionamentos verdadeiros são marcados pela aceitação, mesmo quando suas escolhas não são úteis nem saudáveis. Esta é a beleza que você vê no meu relacionamento com Abba e Sarayu. Nós somos de fato submetidos uns aos outros, sempre fomos e sempre seremos. Papai é tão submetida a mim quanto eu a ela, ou Sarayu a mim, ou Papai a ela. Submissão não tem a ver com autoridade e não é obediência. Tem a ver com relacionamentos de amor e respeito. Na verdade somos igualmente submetidos a você.
Mack ficou surpreso.
- Como pode ser? Por que o Deus do universo quereria se submeter a mim?
- Porque queremos que você se junte a nós em nosso círculo de relacionamento. Não quero escravos, quero irmãos e irmãs que compartilhem a vida comigo.

A Cabana, páginas 132 e 133, Editora Sextante

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A religião e seus rituais



“Os indianos desta região repetem uma fábula de alerta sobre um grande santo que estava sempre cercado, em seu Ashram, por devotos leais. Durante horas por dia, o santo e seus seguidores meditavam sobre Deus. O único problema era o que o santo tinha um gato jovem, uma criatura irritante, que costumava atravessar o templo miando, ronronando e incomodando todo mundo durante a meditação. Então o santo, com toda sua sabedoria prática, ordenou que o gato fosse amarrado a um poste do lado de fora durante algumas horas por dia, apenas enquanto durasse a meditação, para não incomodar ninguém. Isso se tornou um hábito – amarrar o gato ao poste e, em seguida, meditar sobre Deus – mas, com o passar dos anos, o hábito se consolidou, transformando-se em ritual religioso. Ninguém conseguia meditar a menos que o gato fosse amarrado ao poste primeiro. Então, um dia, o gato morre. Os discípulos do santo entraram em pânico. Foi uma enorme crise religiosa – como poderiam meditar agora sem um gato para amarrar no poste? Como conseguiriam alcançar Deus? Em suas mentes, o gato tornara-se o meio.”
Tomem muito cuidado, alerta essa história, para não se tornarem obcecados demais com o ritual religioso por si só. Sobretudo neste mundo dividido, onde o talibã e a coalizão cristã seguem travando sua guerra internacional de patentes para resolver quem detém os direitos em relação à palavra Deus, e quem tem os rituais adequados para alcançar esse Deus, pode ser útil lembrar que amarrar o gato ao poste nuca levou ninguém à transcendência, mas sim o desejo individual constante de um discípulo de vivenciar a eterna compaixão do divino. A flexibilidade é tão essencial para a divindade quando a disciplina.
A sua tarefa, portanto, se você decidir aceitá-la, é prosseguir em sua busca pelas metáforas, rituais e mestres que o ajudem a se aproximar ainda mais da divindade. As escrituras iogues dizem que Deus reage às preces sagradas e aos esforços dos seres humanos, qualquer que seja a maneira como os mortais decidirem venerá-lo - contanto que as preces sejam sinceras. Como sugere uma linha dos Upanishads: "As pessoas seguem caminhos diferentes, retos ou tortuosos,de acordo com seu temperamento, dependendo daquilo que julgam ser melhor, ou mais apropriado - e todas alcançam Você, da mesma forma que os rios desaguam no oceano."

Comer, rezar, amar – Elizabeth Gilbert pág. 213 e 214

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Amor

Apesar dos pecados
Julgamentos errados
Apesar da aparência
E da independência


Apesar do que eu disse
E do que eu pensei
Tu me amas, Senhor
Teu amor vai além


Além das qualidades
E das capacidades
Além dos juramentos
E do comprometimento


Além da santidade
Da distância do mundo
Tu me amas, Senhor
Apesar de tudo


E como pode um amor assim,
Que não tem critérios pra existir,
Pode ser dado para mim?


Eu sei que tu me amas como sou
E não há nada que eu possa fazer
Que modifique esse amor


Priscila Ribeiro

sábado, 30 de maio de 2009

Casas Velhas


Somos ‘casas velhas’, todos nós...
Recebemos uma nova pintura todo Ano Novo para maquiar nossas manchas, nossa “feiúra”; recebemos novos ornamentos; paredes antigas são derrubadas, novas são levantadas; mudamos os móveis de lugar; tentamos ao máximo alterar o ambiente para mostrar que mudamos, mas nada disso altera o que somos!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O universo de nós dois

Eu te amo!
Foi tudo o que consegui dizer ao tentar traduzir as sensações que eu tinha.
Por mais que eu saiba, que aquilo que nos liga excede essas sensações, emoções e os outros "ões" que existam.
Sei que palavras não conseguem traduzir a dimensão desse universo que é só nosso, onde só nós dois entendemos. Esse novo mundo, onde nos encontramos, mas que parece que conhecemos desde antes de existirmos.
Aqui, a gente se completa. Sim, pois completo é o estado de plenitude, e não há nada melhor que estar pleno, não lhe faltar nada, não sentir necessidade de nada.
E com você, eu e o universo de nós dois, não vejo o porquê de mais nada.
Então, por quê não dizer apenas "eu te amo"?

sábado, 9 de maio de 2009

Um lugar chamado 'Amor'

Lá é o lugar onde todos os sentimentos são reais

são expressos com naturalidade

na mais bela verdade

como uma criança que brinca sem notar que é criança

sem ter medo de causar espanto por olhares adultos

ela brinca porque é criança

ela corre, pula, dança, sorri alegremente, chora, canta porque ela é criança

Lá, todos são assim...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O que vem depois da felicidade?


Eu te amo mais do que já amei alguém antes
e sinceramente, não sei o quanto já amei alguém
se foi muito ou pouco
mas foi o suficiente pra ser feliz todos os dias
e se eu te amo mais do que isso ainda
nao sei como posso conceituar
o que vem depois da felicidade?

''É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois? Dificílimo contar. Olhei pra você fixamente por instantes. Tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de felicidade''.
Clarice Lispector