domingo, 27 de fevereiro de 2022

Príncipe da Paz

 


No livro de 1 Reis capítulo 1 relata a sucessão do trono real de Israel entre Davi e seu filho Salomão. A história nós já conhecemos bem, entretanto, os pormenores dessa história passam muitas vezes desapercebidos. Como a conspiração de Adonias, também filho de Davi, que tentava assumir o trono sem que o pai soubesse, aproveitando-se da velhice e incapacidade de Davi naquele momento.

Adonias era filho de Davi com uma de suas esposas de nome Hagite, enquanto Salomão era filho de Davi com Bate-Seba, a viúva de Urias.

Adonias é retratado como o filho ao qual Davi nunca soube disciplinar, nunca fora contrariado e nem repreendido. Um narcisista por completo que nunca ouviu “não” em sua vida.

Ele mandou reunir carros, cavaleiros e uma marcha a fim de anunciar sua posse ao trono. Fez alianças com o general Joabe e do sacerdote Abiatar, que prontamente concordaram em o ajudar a ser coroado rei de Israel.

Adonias tinha a confiança do poder bélico e religioso, da elite de Israel e evitou somente aqueles que seriam fiéis a seu pai.

Conta a história que o profeta Natã interveio (e aqui resumirei a história) conseguindo fazer com que Davi proclamasse Salomão como rei.

A instrução que Davi dera a Natã foi que Salomão iria até Giom montado em sua mula para que fosse coroado.

Giom ficava situado nos arredores de Jerusalém, perto do monte das Oliveiras.

Agora vamos pular uns mil anos de história, de volta a Jerusalém em Marcos 11 (também Mateus 21; Lucas 19:28-38 e João 12:12-15), nas proximidades de Giom perto do monte das Oliveiras, nos relata Jesus montado numa jumenta e o povo exclamando em voz alta:

Hosana! Bendito aquele que vem em nome do Senhor! Bendito seja o reino que vem estabelecer, o reino do nosso pai Davi! Hosana nas alturas!

Nisso se cumpre a profecia de Zacarias citado em seu livro no capítulo 9 verso 9.

O povo o vê e lembra da profecia e lembra de Salomão, mas a pergunta que faço é: por que uma jumenta, uma mula, um burrinho e não um cavalo?

Adonias convocou a cavalaria, certamente ele foi montado adiante dela no seu imponente cavalo e atrás seus cavaleiros com trajes de guerra enquanto a elite judaica o aclamava “rei de Israel”.

Todos os detalhes são informações que alguém quer passar, e cavalos eram animais usados principalmente para guerras. Adonias transmitiu uma mensagem: sou um rei guerreiro, conquistador, desbravador.

A elite o abraçou, pois lhe era conveniente ter o braço forte de um rei guerreiro que pudesse estar presente sempre que alguma ameaça surgisse e pudesse abalar o estilo de vida deles.

Já a mula, o burrinho, a jumenta, e afins eram animais usados para visitas de paz, diplomacia, negócios em benefício da grande maioria.

Essa foi a escolha de Davi para seu filho Salomão, pois o reinado de Davi foi tumultuado com guerras e certamente ele não queria isso para seu filho e seu povo. Davi e Salomão foram na contramão dos desejos da elite, por isso Salomão foi abraçado por seu povo.

Igualmente, Jesus quando entra montado na jumenta, ele transmite a mensagem de reinado de paz e quem o abraça é o povo.

Seguindo ainda a profecia de Zacarias, no verso 10 do capítulo 9 ainda diz que “ele anunciará paz as nações”, mostrando que o reino de Deus em Cristo é sempre um reinado de paz.

Ainda se cumpre uma nova profecia, a de Isaías 9 quando diz que um dos nomes que Cristo seria reconhecido é o de Príncipe da Paz.

Talvez você agora se pergunte e me pergunte: então o que quer dizer a passagem onde Jesus diz que “não veio trazer paz, mas sim a espada” descrito em Mateus 10:34?

E sobre eu falarei no próximo texto. Aguarde!

terça-feira, 31 de agosto de 2021

Pelo que você quer ser lembrado?

Banksy acreditava que uma pessoa morria duas vezes: uma quando para de respirar e a segunda quando alguém diz seu nome pela última vez.  

Talvez o maior receio de quem está vivo agora não seja a certeza da morte (que todos deveriam ter), mas sim o receio de ser esquecido.

 Você já passou por uma rua e leu lá o nome dela é se perguntou: quem foi essa pessoa? O que ela fez? Automaticamente associamos a ideia do ser com os feitos.
 Pois para nós a relevância de alguém é medida pelos feitos. Ruas, pontes, estradas, hospitais, escolas, estádios, etc.
 Enfim, tudo leva o nome de alguém e muitos nomes são esquecidos com o longo dos anos mesmo que seus feitos estejam lá a uso de todos inclusive você. 
 Eu entendo a importância que uma estrada ou ponte tem de ligar cidades, estados e países. Conectar pessoas distintas de alguma maneira. 
 A importância que tem na manutenção de determinados lugares.

 Talvez você pense que coisas assim são destinadas realmente a grandes pessoas, que sua existência não pode gerar algo que deixe a memória do seu nome viva por muito muitos anos.

 Mas você pode!

 Existe uma construção que embora não seja vista a olho nu, tem um impacto mais profundo na humanidade e esse impacto sim é visível. 

 O amor!

 Pontes ligam lugares, conectam pessoas.
 O amor te liga ao divino, conecta almas. 

 O amor leva a assinatura daquele que o criou porque ele próprio é o amor.

 Transcende nossa ideia de espaço tempo e transforma pessoas a partir de dentro.

 Você não precisa ser alguém dotado de entendimento científico para exercer amor.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Liturgia 4

 O maior legado que você  deixa não são seus feitos, seus filhos, as obras de suas mãos, o fruto do seu trabalho ou seu nome.

O maior legado que você deixa é invisível.

São os valores que transmitiu ao seu ciclo de convívio, as pessoas que de alguma forma se conectaram a você.

Eu não vi Deus, nunca andei com ele de fato, não senti o cheiro do seu perfume nem ao menos de fato sei como é o real som de sua voz. O nome dele nem mesmo é Deus.

Tudo o que sei a respeito dele e carrego sobre ele são princípios e valores que tento com muito esforço transmitir adiante e me torna alguém melhor. Não porque eu seja alguém melhor, mas porque eu entendo que seu principal ensinamento faz de mim alguém melhor. 

Dele eu recebi amor e o amor não me torna alguém perfeito, me torna alguém melhor.

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Liturgia 3

 - A missão de todo cristão é tornar Deus acessível através de seu filho Jesus. Você entende isso, meu neto?

Em Liturgia todos se trancaram entre as muralhas e pensaram que o evangelho só acontecia ali para aquele grupo fechado de pessoas. Para os eleitos, os escolhidos, os que erguem as mãos em cada culto.

Encaixotaram Deus!

Liturgia não é nada diferente de qualquer outra religião que tenha surgido em algum canto dessa terra.

É a mesma metodologia: Um deus que interage com um representante exclusivo que então leva sua mensagem ao seu povo escolhido, exigindo deles fidelidade e oferendas em troca de bençãos que no geral são materializadas em coisas que tornam a vida de seus servos menos penosa e mais fácil. Esse mesmo deus odeia todos que os opostos ao seu povo, mas é incapaz de perceber que seu povo comete os mesmos erros de todos os outros. Eles pregam que seu deus é tolerante com eles e mortalmente feroz contra os outros.

O Deus dos evangelhos que Cristo nos revela é o contrário disso - os olhos de Jeremias brilharam no instante em que ele começou a falar sobre sua fé -

Perceba uma coisa, José.

Todos querem saber onde encontrar Deus.

É a mulher samaritana querendo saber se é no monte ou em Jerusalém como acreditavam os Judeus; são os gregos sedentos por novidades acerca dos deuses em Atenas; até mesmo os discípulos que viam a Jesus face a face e não entendiam que essa visão e convivência ainda não era o bastante e dEle ouviram "eu vou partir".

Ninguém entendeu que o local onde ele foi, onde ele está, onde ele escolheu partir seria para dentro de cada um de nós. No mais íntimo e profundo de todos nós.

Portanto, José, eu nunca poderia permanecer em Liturgia. Eu sabia que Deus estava em cada chão dessa vida em alguém necessitado; na criança abandonada pelos pais; no viciado que perdeu a razão de viver e todo dia se entorpece para não encarar sua desolação; na viúva; no doente; no marginalizado; encarcerado; no homossexual que teme se aceitar publicamente e sofrer mais do que já sofre enganando não aos outros, mas a si mesmo para preservar sua vida; no faminto; na mãe solteira; em todo lugar onde existir alguém oprimido pelo mesmo moralismo que rege a vida em Liturgia, ali é meu lugar, é ali que estarei anunciando que Deus está em nós e não mais lá distante, inacessível!