quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Signo Natalino

    Chega, o que é para mim, uma data sempre reflexiva e especial. Para longe das burocracias e formalidades, recosto-me na imagem da manjedoura, imagem essa que este ano teve nota contemplativa em um tempo de desmoronamento de convicções, de paradigmas que me guiaram por anos. Mas essa contemplação na perda de significados não começou esses dias, nem essas semanas, mas é um processo que deu início há mais tempo. Envolveu autoquestionamento, rupturas e a quebra de certezas porque a vida tem se mostrado assim, a mais concreta forma da insegurança e suposta insignificância. 

    Voltei-me à manjedoura, à lapinha que abrigou Deus, o menino Deus, insignificante, frágil e mesmo assim vivo e pulsante. Não foco nos profetas, nem na história que é dogma para quem crê, mas sim naquele Ser, Deus menino que tudo significou ali. Pousado no berço, encontramos a face de Deus que se apresenta a nós no início da vida, essa tal vida que tantos tentam significar e ressignificar.

    Não quero dizer que descobri significados permanentes, nem quero mais possuir essa certeza, apenas deixar que esse signo (sinal) da manjedoura possa me inspirar e a todos que tiram um tempinho de sua existência para olhar, sem impor, sem cobrar, Deus está lá, exposto e acessível significando ao mundo.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Inspiração

 

Alguém já saiu de um dia triste para um dia feliz ao seu lado.

Alguém amou a primeira vez com você.

Alguém tem uma música favorita e uma banda que você apresentou.

Alguém que estava perdido já se encontrou após uma conversa com você.

Alguém viveu sonhos com você.

Sua existencia não é em vão.

Talvez você não atinja o mundo inteiro com sua voz, mas o seu modesto “bom dia” com um tom acanhado de quem acabara de acordar foi tudo que alguém precisava ouvir para se levantar.

Você pode até não abraçar o mundo todo, mas você já foi o mundo de alguém.

Você é a inspiração de alguém, mesmo em momentos difíceis, você sempre foi capaz de tocar alguém na alma.

Deus te criou com um propósito e sem ao menos perceber, você muitas vezes viveu esse propósito, não do jeito que você imaginou, mas do jeito que tinha que ser.

Você já fez alguém chorar de alegria, sorrir em um momento de tristeza, amar até doer o peito, você já fez alguém se sentir forte o bastante para vencer qualquer dificuldade.

E esse é o seu poder.

Não há nada que vá tirar isso de você, pois foi para isso que Deus te criou.

 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Tempo de Certeza!

 Neste Natal o que pude pensar foi em supostas certezas. Ao menos assim caminhava José que logo se casaria com uma jovem israelita de nome Maria. Ele tinha planos seus, projetos, sonhos, de futuro marido e chefe de uma família; planos para sua vida profissional e sustento de seu lar. Talvez uma viagem em tempos festivos para levar a esposa e as crianças para ver os avós ou irem ao litoral. Ela, Maria, sendo mui nova, com certeza almejava muitas coisas em sua vida, ainda que o papel feminino naquela época como mulher casada não fosse dos mais empolgantes, porém, como todo jovem espírito, ela deveria ter sonhos que lhe empolgavam.

            Planos, projetos, sonhos, tudo isso é parte de cada um de nós que de alguma maneira tende a pensar além do aqui e agora. Não existe erro em sermos assim, mas vez ou outra somos postos diante de uma realidade que não condiz com o que almejávamos. Sonhos desmoronados, projetos estilhaçados, certezas desfeitas. Assim aconteceu com o casal de Nazaré. José, homem justo (Mateus 1:20) recebe a notícia de que sua futura esposa estaria grávida... imagino a reação de José ao saber dessa notícia. Surpresa? Aflição? Raiva? Tristeza profunda? Tanta coisa deve ter passado pela cabeça dele, mas ainda assim achou-se virtude nele para não expor Maria. E ela, grávida miraculosamente ainda sem muito entendimento do que lhe acontecera. Ambos perdidos, cada um a seu modo. Os sonhos já não mais poderiam ser como eles esperavam; projetos e perspectivas ganharam tons cinzas de um mundo que não poderia ser projetado como eles imaginavam. O que isso nos diz? Não temos pleno controle de nosso futuro e nem das coisas que nos rodeiam. As incertezas da vida são mais certas do que as meras certezas que palpitam em nossos corações. Entretanto, Deus não desampararia seus filhos confusos, pelo contrário, enviou de si um mensageiro para explicar, confortar e animar o casal desnorteado (Mateus 1:20-23). Deus trouxe a mensagem de boas novas em meio aquele turbilhão de medo que a incerteza tende a nos afogar.

            Neste Natal quero refletir convosco sobre a vida de incertezas que vivemos, mas não como enfoque de que incertos viveremos, ao contrário, quero dizer sobre a própria essência natalina: nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor (Lucas 2:11). Nasceu e nos envolveu na certeza de que nunca mais estaríamos só neste mundo. Nascido, fez nascer em nós a comunhão com aquele que imutável é, permanecendo conosco mesmo quando o mundo ao nosso redor desaba. Nascendo, trouxe consigo a paz que sobressai o medo porque é o Amor feito carne, e o amor afugenta o medo (1 João 4:18). Nele, saltamos no escuro que é viver o amanhã, confiantes de que estamos seguros.


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Príncipe da paz - parte 2

 

Em Mateus 10:34 vemos Jesus dizer “Não pense que vim trazer paz à terra, não vim trazer paz, mas espada.”

Conforme dito no texto anterior, Jesus é o príncipe da paz profetizado por Isaías.

Até mesmo Jesus diz que bem-aventurados são os pacificadores (Mateus 5:9); e Paulo diz que um dos atributos do reino de Deus é paz (Romanos 14:17)

Enfim, eu poderia colocar vários textos mostrando que Jesus é pacificador e sua mensagem é de paz, mas eu preciso responder a questão primária que deu origem a esse texto: por que ele diz ter vindo trazer espada e não guerra?

Essa é uma frase paradoxal e simples de entender.

O evangelho do Reino de Deus, que é o evangelho que Jesus prega e orienta os discípulos a pregar igualmente seria causa de divisão entre as pessoas.

Os judeus esperavam um Messias que trouxesse sim um reino de paz a Israel, mas que até estabelecer essa paz, ele travaria batalhas contra os inimigos de Israel e os mataria até que não houvesse mais inimigos.

O Messias esperado traria paz através da guerra e essa nunca foi a mensagem de Jesus.

O evangelho do Reino de Deus ensina o amor, o perdão, a compaixão, o cuidado, o zelo, o auxílio aos necessitados, ensina a partilha de bens, e renega qualquer tipo de violência.

Essa mensagem, por ser contrária a mensagem que o povo esperava, causaria divisão entre os judeus colocando uns contra os outros.

E isso realmente aconteceu, como por exemplo, na entrada de Jesus em Jerusalém (já citado no texto anterior) ele é recebido por uma multidão dizendo “Hosana ao filho de Davi, Bendito é o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!”.

Enquanto na condenação, uma outra multidão clama pela sua crucificação (Mateus 27).

Alguns poderiam dizer que se tratava do mesmo povo, mas não.

Mateus 21 a palavra usada no grego é oxlos e Mateus 27 usa laós.

A diferença básica entre as duas palavras que traduzem multidão é que oxlos era mais usado pra se referir a multidões de forma genérica enquanto laós era usado pra se referir a elite, ao povo mais importante.

Percebem como os eventos são parecidos tanto na história de Salomão e seu irmão que tentou usurpar seu trono e nessa de Jesus?

Nas duas histórias a elite preteriu um rei de paz.

O que me chama atenção nessas duas histórias é como parte da igreja passou séculos escondendo esses pequenos detalhes que nos revelam o quanto as causas sociais tão presentes nos discursos de hoje já eram comuns naquele tempo.

Como passamos anos ensinando de domingo a domingo sobre um Deus que aparentemente não está nem aí com aquilo que acontece com a humanidade?

Por que não nos concentramos em ensinar que o Reino de Deus prega a paz?

Essa era divisão que Jesus trouxe em seu tempo e até hoje causa discórdia entre cristãos. Todo dia quando alguém se levanta e propõe ensinar sobre justiça social, sobre amor, sobre paz, sobre igualdade, coisas essas que fazem parte da mensagem do evangelho, essas pessoas sofrem com ataques da própria comunidade cristã.

Jesus realmente nos dividiu entre aqueles que carregam sua bandeira de paz e justiça a partir daqui entre aqueles que acreditam que estão aqui porque foram escolhidos e por isso são melhores e maiores que os outros e a única paz que lhes interessa é a sua própria paz. Uma paz egoísta que não une pessoas se elas não pensarem iguais, não acatarem as questões de um seleto grupo.

Qual é a sua paz?

 

domingo, 27 de fevereiro de 2022

Príncipe da Paz

 


No livro de 1 Reis capítulo 1 relata a sucessão do trono real de Israel entre Davi e seu filho Salomão. A história nós já conhecemos bem, entretanto, os pormenores dessa história passam muitas vezes desapercebidos. Como a conspiração de Adonias, também filho de Davi, que tentava assumir o trono sem que o pai soubesse, aproveitando-se da velhice e incapacidade de Davi naquele momento.

Adonias era filho de Davi com uma de suas esposas de nome Hagite, enquanto Salomão era filho de Davi com Bate-Seba, a viúva de Urias.

Adonias é retratado como o filho ao qual Davi nunca soube disciplinar, nunca fora contrariado e nem repreendido. Um narcisista por completo que nunca ouviu “não” em sua vida.

Ele mandou reunir carros, cavaleiros e uma marcha a fim de anunciar sua posse ao trono. Fez alianças com o general Joabe e do sacerdote Abiatar, que prontamente concordaram em o ajudar a ser coroado rei de Israel.

Adonias tinha a confiança do poder bélico e religioso, da elite de Israel e evitou somente aqueles que seriam fiéis a seu pai.

Conta a história que o profeta Natã interveio (e aqui resumirei a história) conseguindo fazer com que Davi proclamasse Salomão como rei.

A instrução que Davi dera a Natã foi que Salomão iria até Giom montado em sua mula para que fosse coroado.

Giom ficava situado nos arredores de Jerusalém, perto do monte das Oliveiras.

Agora vamos pular uns mil anos de história, de volta a Jerusalém em Marcos 11 (também Mateus 21; Lucas 19:28-38 e João 12:12-15), nas proximidades de Giom perto do monte das Oliveiras, nos relata Jesus montado numa jumenta e o povo exclamando em voz alta:

Hosana! Bendito aquele que vem em nome do Senhor! Bendito seja o reino que vem estabelecer, o reino do nosso pai Davi! Hosana nas alturas!

Nisso se cumpre a profecia de Zacarias citado em seu livro no capítulo 9 verso 9.

O povo o vê e lembra da profecia e lembra de Salomão, mas a pergunta que faço é: por que uma jumenta, uma mula, um burrinho e não um cavalo?

Adonias convocou a cavalaria, certamente ele foi montado adiante dela no seu imponente cavalo e atrás seus cavaleiros com trajes de guerra enquanto a elite judaica o aclamava “rei de Israel”.

Todos os detalhes são informações que alguém quer passar, e cavalos eram animais usados principalmente para guerras. Adonias transmitiu uma mensagem: sou um rei guerreiro, conquistador, desbravador.

A elite o abraçou, pois lhe era conveniente ter o braço forte de um rei guerreiro que pudesse estar presente sempre que alguma ameaça surgisse e pudesse abalar o estilo de vida deles.

Já a mula, o burrinho, a jumenta, e afins eram animais usados para visitas de paz, diplomacia, negócios em benefício da grande maioria.

Essa foi a escolha de Davi para seu filho Salomão, pois o reinado de Davi foi tumultuado com guerras e certamente ele não queria isso para seu filho e seu povo. Davi e Salomão foram na contramão dos desejos da elite, por isso Salomão foi abraçado por seu povo.

Igualmente, Jesus quando entra montado na jumenta, ele transmite a mensagem de reinado de paz e quem o abraça é o povo.

Seguindo ainda a profecia de Zacarias, no verso 10 do capítulo 9 ainda diz que “ele anunciará paz as nações”, mostrando que o reino de Deus em Cristo é sempre um reinado de paz.

Ainda se cumpre uma nova profecia, a de Isaías 9 quando diz que um dos nomes que Cristo seria reconhecido é o de Príncipe da Paz.

Talvez você agora se pergunte e me pergunte: então o que quer dizer a passagem onde Jesus diz que “não veio trazer paz, mas sim a espada” descrito em Mateus 10:34?

E sobre eu falarei no próximo texto. Aguarde!

terça-feira, 31 de agosto de 2021

Pelo que você quer ser lembrado?

Banksy acreditava que uma pessoa morria duas vezes: uma quando para de respirar e a segunda quando alguém diz seu nome pela última vez.  

Talvez o maior receio de quem está vivo agora não seja a certeza da morte (que todos deveriam ter), mas sim o receio de ser esquecido.

 Você já passou por uma rua e leu lá o nome dela é se perguntou: quem foi essa pessoa? O que ela fez? Automaticamente associamos a ideia do ser com os feitos.
 Pois para nós a relevância de alguém é medida pelos feitos. Ruas, pontes, estradas, hospitais, escolas, estádios, etc.
 Enfim, tudo leva o nome de alguém e muitos nomes são esquecidos com o longo dos anos mesmo que seus feitos estejam lá a uso de todos inclusive você. 
 Eu entendo a importância que uma estrada ou ponte tem de ligar cidades, estados e países. Conectar pessoas distintas de alguma maneira. 
 A importância que tem na manutenção de determinados lugares.

 Talvez você pense que coisas assim são destinadas realmente a grandes pessoas, que sua existência não pode gerar algo que deixe a memória do seu nome viva por muito muitos anos.

 Mas você pode!

 Existe uma construção que embora não seja vista a olho nu, tem um impacto mais profundo na humanidade e esse impacto sim é visível. 

 O amor!

 Pontes ligam lugares, conectam pessoas.
 O amor te liga ao divino, conecta almas. 

 O amor leva a assinatura daquele que o criou porque ele próprio é o amor.

 Transcende nossa ideia de espaço tempo e transforma pessoas a partir de dentro.

 Você não precisa ser alguém dotado de entendimento científico para exercer amor.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Liturgia 4

 O maior legado que você  deixa não são seus feitos, seus filhos, as obras de suas mãos, o fruto do seu trabalho ou seu nome.

O maior legado que você deixa é invisível.

São os valores que transmitiu ao seu ciclo de convívio, as pessoas que de alguma forma se conectaram a você.

Eu não vi Deus, nunca andei com ele de fato, não senti o cheiro do seu perfume nem ao menos de fato sei como é o real som de sua voz. O nome dele nem mesmo é Deus.

Tudo o que sei a respeito dele e carrego sobre ele são princípios e valores que tento com muito esforço transmitir adiante e me torna alguém melhor. Não porque eu seja alguém melhor, mas porque eu entendo que seu principal ensinamento faz de mim alguém melhor. 

Dele eu recebi amor e o amor não me torna alguém perfeito, me torna alguém melhor.

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Liturgia 3

 - A missão de todo cristão é tornar Deus acessível através de seu filho Jesus. Você entende isso, meu neto?

Em Liturgia todos se trancaram entre as muralhas e pensaram que o evangelho só acontecia ali para aquele grupo fechado de pessoas. Para os eleitos, os escolhidos, os que erguem as mãos em cada culto.

Encaixotaram Deus!

Liturgia não é nada diferente de qualquer outra religião que tenha surgido em algum canto dessa terra.

É a mesma metodologia: Um deus que interage com um representante exclusivo que então leva sua mensagem ao seu povo escolhido, exigindo deles fidelidade e oferendas em troca de bençãos que no geral são materializadas em coisas que tornam a vida de seus servos menos penosa e mais fácil. Esse mesmo deus odeia todos que os opostos ao seu povo, mas é incapaz de perceber que seu povo comete os mesmos erros de todos os outros. Eles pregam que seu deus é tolerante com eles e mortalmente feroz contra os outros.

O Deus dos evangelhos que Cristo nos revela é o contrário disso - os olhos de Jeremias brilharam no instante em que ele começou a falar sobre sua fé -

Perceba uma coisa, José.

Todos querem saber onde encontrar Deus.

É a mulher samaritana querendo saber se é no monte ou em Jerusalém como acreditavam os Judeus; são os gregos sedentos por novidades acerca dos deuses em Atenas; até mesmo os discípulos que viam a Jesus face a face e não entendiam que essa visão e convivência ainda não era o bastante e dEle ouviram "eu vou partir".

Ninguém entendeu que o local onde ele foi, onde ele está, onde ele escolheu partir seria para dentro de cada um de nós. No mais íntimo e profundo de todos nós.

Portanto, José, eu nunca poderia permanecer em Liturgia. Eu sabia que Deus estava em cada chão dessa vida em alguém necessitado; na criança abandonada pelos pais; no viciado que perdeu a razão de viver e todo dia se entorpece para não encarar sua desolação; na viúva; no doente; no marginalizado; encarcerado; no homossexual que teme se aceitar publicamente e sofrer mais do que já sofre enganando não aos outros, mas a si mesmo para preservar sua vida; no faminto; na mãe solteira; em todo lugar onde existir alguém oprimido pelo mesmo moralismo que rege a vida em Liturgia, ali é meu lugar, é ali que estarei anunciando que Deus está em nós e não mais lá distante, inacessível!

sábado, 7 de agosto de 2021

O sucesso do empreendimento de Jesus

O coliseu de Roma é uma das atrações turísticas mais famosas do mundo.

Palco de muitas histórias que era símbolo da opulência do império romano.

Alguns anos atrás pude realizar meu desejo de conhecê-lo. Caminhar por entre suas arquibancadas que no passado estavam cheias de cidadãos romanos vibrando de emoção com as lutas dos gladiadores.

O coliseu também foi palco de extermínio de muitos cristãos antes do estado romano converter-se e tornar o cristianismo sua religião oficial.

A emoção de estar num local emblemático não me cegava quanto a história de muitas vidas de irmãos e irmãs que foram massacradas ali por professar a fé em Cristo.

Enquanto caminhava pelas arquibancadas, percebi que havia num determinado local uma cruz.

Não sei qual a história dessa cruz, como ou quando ela foi colocada ali, nem mesmo o porquê. Tudo que sei é ao caminhar por lá você também irá se deparar com uma grande cruz.

Por alguma razão, hoje pela manhã eu estava me lembrando dessa cruz no coliseu, palco de muitas mortes de cristãos e refletia sobre temas tão atuais do nosso cotidiano como sucesso e empreendimento.

Uma definição simples de sucesso seria êxito, conquista, acontecimento favorável, etc.

E uma definição simples de empreendimento seria tarefa, uma responsabilidade, um negócio.

Como essas duas palavras sempre caminham juntas no vocabulário coletivo de muitos na atualidade, um empreendimento de sucesso seria uma espécie de negócio que traz coisas favoráveis ao empreendedor. O empreendedor é o gestor desse empreendimento.

É comum das pessoas terem referências de pessoas com grandes recursos, fama, influência como o parâmetro pra ser seguido. A palavra coach tornou-se também comum nesse vocabulário da moda.

Pessoas que parecem ter encontrado a fórmula pra sair de uma vida humilde pra uma vida de muita ostentação.

E quero salientar que não vejo nada de negativo ter poder aquisitivo para se ter aquilo que quer ter. Não romantizo a pobreza e nem desprezo a riqueza. Salomão mesmo dizia que a vida do rico é mais fácil. Há menos fardo ao rico, mais acessos, mais conexões, mais oportunidades.

Como qualquer outro movimento coletivo urbano, há sempre sua vertente gospel e como não poderia faltar, também temos os coach gospel ensinando como obter sucesso a partir desse mundo que o levará a desfrutá-lo ainda mais na nova Jerusalém.

Parece que os evangélicos sempre tem uma versão melhorada da matrix que vivemos!

O coach gospel são super pastores com pinta de psicólogos comportamentais que extraíram segredos das escrituras que nos fazem sair de meros escravos a governadores do Egito.

E novamente digo: não vejo mal um plano de carreira e crescimento pessoal e profissional.

O problema está nessa mistura com o evangelho.

Pois o evangelho segue exatamente a lógica inversa de todos os padrões humanos.

Por exemplo, a moralidade do evangelho condena o justo para libertar o injusto.

O maior no evangelho é aquele que serve ao menor.

No evangelho, o pagamento do mal é com uma bondade que supere a maldade que nos foi causada.

No evangelho, se eu tenho 2 cobertores, eu devo dar um a quem não tem.

E há muitos outros exemplos de como o evangelho é distópico as lógicas humanas.

Nas palavras que citei no início do texto sucesso e empreendimento não seria diferente.

O principal símbolo de empreendimento do cristão é a cruz, e só houve sucesso nesse empreendimento quando Jesus foi morto nela.

Esse Jesus, homem simples de origem simples. Filho não biológico de um homem simples; nasceu num estábulo; no interior de seu país; concebido por uma mulher sem qualquer relevância no seu ciclo social e mal afamada.

Jesus tem o currículo de muitos coachs no início antes da fama e destaque midiático que conquistaram milhares de seguidores. Mas um final completamente divergente.

Todos aqueles que seguiram a Jesus no auge e conclusão de seu empreendimento de sucesso, também tiveram uma vida e finais diferentes dos conceitos atuais de sucesso.

Sei que o mundo mudou bastante, mas eu não consigo olhar aquela cruz no coliseu sem pensar em quantos seguidores do coach Jesus encontraram sucesso estraçalhados por leões, mortos ao fio da espada, pisoteados por cavalos e piras, dilacerados. Tudo por um empreendimento que não é desse mundo e um sucesso que vale uma vida.

Espero que você e eu encontremos o sucesso um dia, e espero que no final do nosso empreendimento toda jornada tenha valido a pena.

 

 

sexta-feira, 23 de julho de 2021

Submissão

Recentemente a modelo Andressa Urach divulgou uma foto em seu perfil do instagram com o título "sou todinha do meu dono".
Na foto ela está com seu marido.
Após ser criticada, ela usou a referência bíblica da esposa ser submissa ao marido.
Mas será que a ideia de submissão dela está certa?
Vejamos o que diz a bíblia:

Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor;
Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo.
De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos.

Efésios 5:22-24

Obs: a tradução usada aqui a palavra submissão não é usada, em seu lugar está sujeição.

Mas o que é submissão?
Submissão nada mais é do que zelo.

Imagine que você possui uma bem do qual não consegue zelar completamente, então você delega autoridade desse cuidado (zelo) a um zelador.
O trabalho dele é zelar por algo que lhe pertence.
Ele não se torna dono, mas sim cuidador, zelador do bem que é seu por direito.

Outra questão que o texto bíblico traz muito claramente é o advérbio de modo como.
As mulheres tem que submeter-se aos maridos,  COMO AO SENHOR.
Então o apóstolo traz o exemplo que o marido é cabeça da esposa como também Cristo é a cabeça da igreja.
A submissão só é bíblica quando o zelador cuida do corpo como Cristo.

Nenhuma mulher está submissa a um zelador que não cuide bem dela.
A bíblia não justifica submissão em relacionamentos abusivos, destrutivos, agressões e outros.

E o texto para por aí?
Não!
Agora vejamos as demais condições de submissão e os deveres dos homens.

Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela,
Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra,
Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.
Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo.
Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja;
Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos.
Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne.
Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja.
Assim também vós, cada um em particular, ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido.


Efésios 5:25-33

Aqui vemos a continuação do texto deixando claro qual papel do marido na relação.
Como já havia dito antes, vemos o dever do homem em amar a mulher da mesma maneira que Cristo amou a igreja e se entregou por ela.
E novamente o advérbio de modo como se faz presente quando diz que o marido deve amar a mulher como ao seu próprio corpo
Amando sua mulher, ama-se a si mesmo.

As condições de submissão tanto da parte da mulher, quanto a do homem requer mais do homem do que da mulher.
O homem é zelador do corpo, da vida da mulher. Cuidando e protegendo como se fosse com ele mesmo.
Fora desse contexto, não há submissão.

E se lermos o verso 21 do mesmo capítulo 5 de Efésios, veremos ainda

Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus.

Efésios 5:21

No fim, todos devemos ser submissos a todos. Porque a ideia de submissão bíblica requer cuidar um do outro.

A mulher foi feita da costela do homem, não dos pés para ser pisada, nem da cabeça para ser superior, mas sim do lado para ser igual, debaixo do braço, para ser protegida e do lado do coração para ser amada.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

O crime divino

 Jesus não foi morto num ritual de ocultismo religioso, Jesus foi morto por um tribunal e leis humanas.


Isso quer dizer que não foi o aspecto de espiritualidade que o matou, foi alguma infração de leis humanas.


Em sua época, basicamente 3 leis condenavam a morte: roubar, matar e se rebelar.


Sabemos que ele não matou ninguém e nada roubou também, nos restando apenas a rebeldia como crime de morte.


Como não havia crime nenhum na lei judaica que o fizesse ser morto, restou os crimes contra o estado romano.


Alguém que alimentava os famintos, trazia conforto aos necessitados, se tivesse duas túnicas doava uma, caminhava com os desfavorecidos, aliviava a dor dos doentes, revoltava-se com opressores que alimentavam um sistema corrupto que desamparava os mais fragilizados. Alguém assim seria amado pelo povo e com isso seria uma ameaça aos governantes.


Jesus não morreu por ser Deus, morreu por ser o mais humano de todos os humanos.


"Todo menino quer ser homem

Todo homem quer ser rei

Todo rei quer ser Deus

Só Deus quis ser menino" Leonardo Boff

terça-feira, 14 de julho de 2020

Sem barganha

Todo movimento que institucionaliza a fé é mau.
Não importa o "bem" que ele faça, o conforto que traz, o auxílio que dê.

Toda pretensão de achar que podemos bajular Deus em benefício próprio, ainda que esse benefício seja necessário, apenas revela o mau caráter do homem e o quanto ele é necessitado da misericórdia que Deus dá de graça.

domingo, 7 de junho de 2020



O que é fé?
Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.
Hebreus 11:1

A bíblia tem uma maneira peculiar de definir termos que nos dê margem para pensarmos mais a respeito deles e criarmos definições a partir de sua própria definição, ou mesmo criarmos questões sobre ela. O mesmo acontece aqui nesse exemplo sobre sua definição de fé.
Vamos analisar essa definição de uma forma mais clara. Se você viesse a definir fé com suas próprias palavras, qual seria essa definição?

Para mim, é muito mais fácil definir o que a fé não é do que propriamente defini-la.
Uma certeza que tenho é de que a fé não é uma espécie de positividade.
É comum diante de situações adversas como uma doença, por exemplo, dizermos "tenho fé que serei curado". É errado isso? De maneira nenhuma. Muitas curas que Cristo operou vieram por intermédio da fé que a pessoa tinha de ser curada. Isso é algo positivo? Claro que sim.

Então, qual sentido de fé não ser positividade?
Vamos ao texto de Hebreus: a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam...
Se pudéssemos questionar todas as pessoas do mundo o que elas esperam para suas vidas, acredito que 99% delas diriam que esperam coisas boas. Uma vida saudável, pacífica, bens materiais pra satisfazer suas necessidades básicas e quiçá suas pequenas vaidades.

Em geral, todo mundo espera, luta e persegue uma vida melhor pra si.
Pelo modo como enxergamos o mundo, podemos constatar que estamos longe dessa esperança individual e coletiva de uma vida melhor.
Mas por que isso acontece?

A primeira coisa que devemos entender sobre fé é que além dela não ser pensamento positivo, ela é firme fundamento ou apenas certeza.
Certeza é garantia. Podemos de fato ter garantia de que teremos tudo que queremos ter? Nem sempre.
Portanto, essa certeza da qual tratamos não pode ser positividade.
A fé deve produzir em nós uma consciência racional da realidade em que vivemos: No mundo tereis aflições João 16:33.

A fé não muda sua realidade. Ela muda a forma como você enxerga sua realidade e da o combustível necessário para mudá-la. É isso que Tiago diz quando fala "me mostre sua fé, que eu lhe mostrarei minhas obras" Tiago 2:18 e "a fé sem obras é morta" Tiago 2:26.

Esse é o problema de quem acredita que fé seja positividade. Eles acreditam que alterar essa realidade seja uma alteração absoluta e muitas vezes não é.
Imagine um casal com sua única filha de 4 anos voltando para casa de carro depois do culto de domingo quando do outro lado da pista, outro veículo conduzido por um motorista embreagado voltando de uma festa, invade a contra mão e colide frontalmente com o carro da família matando na mesma hora a única filha do casal...
Como fica a fé nessa situação?

Pra quem usa a fé como instrumento de positividade, certamente vê seu mundo positivo se desmoronar diante dos seus olhos.
Pra quem consegue enxergar a realidade dos fatos, sabe que estamos sujeitos a esses tipos de males e outros piores ainda nessa vida, mas contudo, nenhum mal é capaz de nos tirar a certeza de que Deus nos reserva sim algo melhor além disso.

Então, essa esperança que é o produto do firme fundamento, é a esperança da salvação e por ela agimos.
Quando analisamos o texto de Hebreus adiante, vemos os exemplos de fé que a bíblia relata e entendemos melhor a esperança de vida que Deus nos traz.
Abel que ofereceu um sacrifício que agradou a Deus. O sacrifício da carne e do sangue, símbolos da vida. Mesmo tendo sido vitimado por seu irmão logo em seguida.
A fé não vai te blindar dos males desse mundo, como não blindou Abel. Ela o ajudará a superá-los e tornará você alguém mais forte.
E precisamos disso. Pois sem fé é impossível agradar a Deus. Abel alcançou o agrado de Deus.

A pergunta que te faço agora não é o que você está disposto a ganhar pela fé, mas o que você está disposto a sofrer pela fé que produz o agrado de Deus?

domingo, 31 de maio de 2020

I can´t breathe

Nos últimos dias tivemos dois casos semelhantes de vítimas da violência do estado contra pessoas pacíficas e inocentes.
O caso do menino João Pedro de 14 anos baleado dentro de casa numa operação da Policia Civil e Federal no complexo Salgueiro e do americano George Floyd que foi abordado por policiais como suspeito de passar uma nota falsa em uma loja.
Os dois casos chocaram respectivamente Brasil e mundo e tem em comum o fato das vítimas serem pretos e acometidos por uma ação violenta e criminosa do estado que usa de sua força bélica diariamente contra aqueles que consideram ameaça a sociedade.
No geral, essa ameaça tem cor e classe social.
Mas não quero entrar no âmbito da luta racial e social nesse texto. Quero alertar em função de vários comentários que sempre vejo saindo da boca de ditos cristãos em defesa dessas ações criminosas.
É comum vermos a fala "não se pode condenar a policia por causa do ato isolado de uns poucos"; "temos que respeitar as autoridades"; "infelizmente essas vitimas apenas estavam no lugar errado e na hora errada".
Não dá pra entender o cara que 1 domingo por mês celebra o corpo e o sangue de um inocente que foi vítima da opressão do estado e faz uma fala dessas quando o inocente é outro.
A bíblia narra que quando Jesus deu seu último suspiro na cruz, céus e terra se abalaram como que demonstrando inquietação e repúdio pela morte de um inocente.
Esse é o alerta dos céus que Deus não se alegra com o sangue inocente sendo derramado.
A igreja tem o dever ético de apoiar qualquer ato contra a violencia, não somente quando a ação violenta parte da vítima e como bem disse Malcon X "não confunda a reção do oprimido com a violência do opressor".
Apoiar a causa da vítima inocente é apoiar a Cristo.
Passar o pano para o estado opressor baseado em uma falsa ideia de submissão de autoridades é legitimar a causa do opressor, é o mesmo que gritar "Soltem Barrabás, crucifique Jesus".

Saí da igreja, e agora?

Sai da igreja, e agora?

Nos últimos anos se popularizou o movimento chamado de desigrejados, que são cristãos motivados por vários fatores, deixaram suas igrejas comuns pra se reunirem em casas ou seguimentos informais, sem placas, nomes ou filiações.
Não desejo aqui entrar no mérito que levou e leva todos os dias alguém migrar do modelo primário de igreja que conhecemos ao modelo secundário.
Chamarei o modelo primário de igreja padrão. Basicamente é uma denominação associada a algum movimento dentro do meio cristão, por exemplo: Assembléia de Deus, que faz parte do movimento pentecostal.
O modelo secundário, chamarei de alternativa. Que é, também, fragmentado em vários modelos de igrejas como por exemplo: Caminho da Graça, ou mesmo algum modelo que não recebe nomes, são menos burocráticos e mais informais.
Como eu disse anteriormente, todos os dias, por vários fatores, diversos cristãos abandonam o padrão. A dúvida que surge inicialmente é: E agora?
Sair da igreja padrão significa necessariamente deixar de seguir minha fé?
Claro que não!
O princípio que estabelece a igreja de Cristo é a afirmação de Pedro descrito em Mateus 16 onde ele diz "tu és o Cristo, filho do Deus vivo". Jesus reconhece que essa revelação é proveniente do próprio Deus e acrescenta "sobre esta pedra, edificarei a minha igreja".
A pedra é a revelação de Deus dada a Pedro acerca da pessoa de Jesus. E Cristo, usa pela primeira vez na bíblia, o termo igreja e a partir daí os discípulos nunca mais pararam de usar esse termo.
Portanto, entendemos aqui o fundamento da igreja. A revelação que o Cristo filho do Deus vivo veio e estabeleceu sua igreja a partir dessa revelação divina dada de bom grado aos homens.
Deixar a igreja padrão não necessariamente envolve abandonar esse credo de fé descrito acima.
Mas e como fica o congregar? Estar entre os irmão de fé é importante?
Sim, é super importante ter contato com cristãos que assim como você professam a mesma fé que Cristo é o filho de Deus.
Hebreus 10:25 nos diz o seguinte: "Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia."
Essa reunião de pessoas que professam da mesma fé em Cristo não pode ser qualquer tipo de reunião. O autor de Hebreus nos diz que deve ser feita como igreja, ou seja, firmados na fé de Pedro que por meio da revelação divina estabelece Cristo como o filho de Deus.
E por que a importância da igreja se reunir nesse propósito de cultuar ao filho de Deus?
Mateus 17 fala sobre a transfiguração de Jesus. Aquele episódio em que Jesus leva 3 de seus discípulos ao monte e lá algo inimaginável acontece, leia:
Seis dias depois, Jesus chamou a Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago, e os levou para um alto monte para poderem ficar sozinhos. 2 Ali, Jesus se transfigurou [a] diante deles. O seu rosto brilhava como o sol e as suas roupas se tornaram brancas como a luz. 3 De repente, Moisés e Elias também apareceram diante deles e ambos começaram a conversar com Jesus. 4 Pedro, então, disse a Jesus:
—É bom que nós estejamos aqui, Senhor! Se quiser eu posso construir aqui três tendas—uma para o senhor, uma para Moisés e outra para Elias.
5 Pedro mal tinha acabado de falar quando uma nuvem brilhante apareceu e os envolveu. E da nuvem também vinha uma voz que dizia:
—Este é o meu Filho! Eu o amo muito e Ele me dá muita alegria.
O que essa passagem nos diz é a maravilhosa.
Ali estava Moisés e Elias.
Moisés é a principal figura para um judeu, pois este representa as leis escritas nas tábuas de pedra pelo dedo do próprio Deus e entregue a Moisés enquanto o povo de Israel vagava pelo deserto após a saida do Egito.
E Elias, o principal dos profetas para os judeus. Embora Moisés também fosse um profeta, sua representatividade na cultura judaica está mais associada as leis, enquanto que Elias representa os profetas.
Então ali estão as 2 maiores autoridades reliogiosas da cultura judaica reunidas com uma terceira pessoa, que é Jesus, quando uma nuvem os cobre e uma voz diz acerca da terceira pessoa "este é meu Filho amado...".
É importante mencionar que Lucas 16:16 diz que os profetas e a lei tem valor até João Batista. A partir desse momento, o Reino de Deus se apresenta aos homens através de Jesus, o filho amado de Deus que o dá muita alegria; que fora revelado a Pedro e estabelecido a partir dessa revelação divina aos homens, como fundamento da Igreja.
É nessa crença que a Igreja é estabelecida e a partir dela que nos reunimos para cultuar a Deus sem a barreira que outrora dividia Deus dos homens, limitava o acesso entre Pai e criação. O que a lei e os profetas não conseguiram, Cristo consegue e nos redime da ruptura iniciada em Adão e perpetuada até o momento da crucificação, até o último suspiro do sagrado em forma humana: Está consumado!
Agora que você entendeu isso, talvez surja a pergunta: Mas onde eu posso cultuar junto aos meus irmãos?
A resposta é muito simples: em qualquer lugar!
Todo espaço, onde nos reunimos em nome de Jesus é uma reunião eclesiastica, ou simplesmente uma igreja.
Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles. Mateus 18:20
Entendido isso, mais adiante passaremos a tratar sobre algumas questões que fazem parte do nosso cultuar e da nossa vida em Cristo, tais como: batismo, ceia, salvação, graça, etc.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Fruto da graça

Quem vive negociando com Deus numa relação de troca de favores para obter beneficios está vivendo uma simples religião como qualquer outra.
Todas as religiões também tem um deus oferecendo bençãos em troca de favores.
Isso não torna ninguém mais certo que outro.
Todas as outras também se alimentam e se fortalecem do mesmo combustível: medo!
Eu sou cristão porque em Cristo não há relação de trocas de favores. Existe apenas um Deus que nos ama de maneira tão inexplicável e num amor tão completo que me cobriu desde antes da minha formação e me cobrirá por toda eternidade Tudo que sei é que sou pequeno demais pra me achar merecedor desse amor.
Só posso deduzir que sou fruto de sua graça.

sábado, 25 de abril de 2020

A queda do sistema - de volta a origem

Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia.

Hebreus 10:25

Nesse quase fim do período de distanciamento social a que foi acometido o mundo a pergunta que fica é: E agora? E depois?
Se a sua vida simplesmente voltar a normalidade anterior, acredito que você não tenha aprendido nada nesse tempo.

Sem querer entrar no mérito da discussão que circunrodeou palcos de religiosos ávidos por justificativas divinas, se foi Deus que enviou o vírus como um castigo, guardadas as devidas proporções, um novo dilúvio; se foi meramente uma arma biológica; ou qualquer motivo diferente que tenham dito. O que devemos sempre, com olhos atentos e ouvidos abertos, é perceber que em todas as situações podemos tirar lições.

A obrigatoriedade de nos distanciarmos uns dos outros nos levou a origem da igreja: o lar!
Nossas casas voltaram a ser o local de culto primário e anúncio do evangelho.
Ali, na nossa sala, ou quarto, sem os palcos que nos dão grande visibilidade. Sem o aparato tecnológico que nos permite produzir um espetáculo admirável do ponto de vista artístico e no qual até nos orgulhamos dizendo muitas vezes "pra Deus o melhor".
O terno deu lugar a camiseta normal, bermuda, chinelos.
O baner com logotipo da denominação foi trocado pela parede do fundo da sala que em alguns lares carece até mesmo de uma renovação de pintura.
Os instrumentos musicais foram desligados e ouvimos apenas nossas vozes, com algumas exceções o som tímido de um violão.

Eu sei que muito de vocês anseiam por retornar todo domingo ao local que consideram sagrado e chamam casa de Deus. Mas tenha calma e entenda o ensinamento de Deus nesse período turbulento.
Eu gosto muito desse texto de Hebreus e já o uso há mais de 1 década quando o fenômeno dos chamados desigrejados estava ganhando fama pelo mundo, por ser repleto de ex membros denominacionais que resolveram largar o convencional pelas reuniões caseiras em grupos pequenos.
Esse grupo, do qual faço parte, por anos tem sido atacado por essa forma de cultuar a Deus.
Na visão dos que atacam, eles deveriam fazer parte de um modelo padrão atual.
O autor de Hebreus discorda desse ataque.

Nesse texto, o advérbio de modo "COMO" faz toda diferença para entendermos esse texto.
Reunir-nos "como" igreja e não Reunir-nos NA igreja.
Igreja não é um local específico, então o que é?

A palavra Igreja origina do grego eclesia, citada por Jesus em Mt 16:18 E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la.
Jesus, motivado pela afirmação de Pedro do qual ele (Jesus) era o Cristo filho do Deus vivo, usou a palavra igreja pela primeira vez.

Contudo, esse termo surgiu 500 anos antes de Jesus na Grécia antiga com o filósofo grego Sólon, ao organizar uma reunião, ou assembléia, ou encontro de pessoas fora do ambiente político tradicional ateniense, ou simplesmente "os de fora do sistema".
500 anos depois, Jesus diz que baseado na afirmação de que ele era o Cristo filho do Deus vivo, estava estabelecendo sua igreja, ou reunião, ou assembléia, ou grupo de pessoas comuns de fora do sistema reliogos tradicional judeu.

A igreja ficou conhecida na sua origem por pessoas de fora de um sistema religioso padrão.
Estabeleceu seus locais de encontro em pontos públicos, até que com a perseguição teve de se refugiar nos lares, onde permaneceu por 3 séculos seguidos crescendo e afrontando os poderes politicos e religiosos de sua época.

A igreja de Cristo nunca precisou de lugar, ela só precisa ser.
Basta estar edificada sobre o fundamento de que Cristo é o filho do Deus vivo.

Se teu encontro dominical no local habitual te faz cristão só ali... Tenho péssimas notícias pra você. Aquele teu vizinho chamado "desigrejado" por cultuar em casa tem mais de Cristo nele que você.

John Wesley, evangelista inglês do século XVIII fundador do movimento metodista dizia: Meu púlpito é o mundo!
Ele entendeu que todo lugar era extensão da igreja desde que ele estivesse reunido COMO igreja.
Faça de sua casa, trabalho, lazer, ou qualquer ambiente uma extensão da verdade que edificou a igreja: Cristo é o filho do Deus vivo!

domingo, 19 de abril de 2020

Liturgia - sofrimento

José observava o modo como seu avô cuidava das feridas daquele homem e mal conseguia respirar no mesmo ambiente por causa do odor de alcool que exalava do homem ferido. José ainda percebeu em seu bolso um cachimbo e uma substância que ele nunca viu alguma vez na vida, mas imaginava que era droga e lembrou dos alertas que faziam em Liturgia para não se aproximar de alguém que usasse drogas, como tudo aquilo era errado e abominável aos olhos de Deus.
"Não vos embriagueis com vinho onde há contenda" dizia o pastor que ocasionalmente era visto por José em seu escritório tomando uma taça que ele ganhava nas suas saídas diplomáticas da cidade.
Seu avô, percebendo o olhar duvidoso do neto perguntou:
- O que passa ness sua cabeça?
- Nada demais, vovô. Fico pensando quais pecados esse homem pode ter cometido pra cair numa desgraça de vida como essa.
- Coisas da vida...
- Mas não pode ser casual, deve ter alguma explicação.
- E qual você sugere, José?
- Reflexo de uma vida longe de Deus, de promiscuidade, de egoísmo. Se ele estivesse numa igreja, jamais estaria aqui sofrendo cheio de feridas e entorpecido pelo alcool e sabe lá mais o que. Esse tipo de coisa não acontece a quem serve a Deus. Porque Deus não permite que seus servos colham tais males.
- Então para você tudo se resume em plantar e colher, José?
Não seja tão binário. O sofrimento tem causas que talvez jamais possamos entender e estamos todos sujeitos a ele.
Deixa eu te contar uma história...
Poucos meses depois de sair de Liturgia, conheci um jovem, pouco mais velho que você, tinha um nome diferente, Jenz, e carinhosamente o chamava de Jota.
Jota também teve uma criação religiosa como a nossa, também tocava e cantava, ensinava a bíblia e tudo o que nós dois fizemos e fazemos.
Jota se casou jovem, aos 19 anos, com uma moça da igreja, virgens, tudo conforme regia o protocolo.
Ela cantava, ele tocava, os dois lideravam o grupo de jovens da igreja. A família de ambos também frequentava a igreja. O pai do Jota inclusive viajava bastante como missionário.
Tudo perfeitamente bem na vida deles.
Um dia, Jota teve uma reunião no trabalho que ocupou mais seu tempo do que deveria. Ele tinha culto de jovens naquela noite e não daria tempo de voltar para casa, pegar sua esposa e ir a igreja ensaiar para o culto. Então, ele ligou para seu melhor amigo, padrinho de casamento e também um dos líderes de jovens juntamente com ele e pediu ao amigo que passasse para buscar sua esposa em casa e encontraria com eles na igreja.
O amigo foi...
No caminho até a igreja, os dois foram surpreendidos no caminho com uma carreta que avançou na pista contrária e atingiu o carro onde estava o amigo e esposa vitimando-os ali mesmo.
Jota perdeu no mesmo dia o melhor amigo e sua esposa.
Ficou arrasado.
Reação mais natural possível. Mas em momento algum ele praguejou ou questionou a Deus por que  estava sendo acometido a uma dor tão grande se em nenhum momento ele fez algo que pudesse merecer aquilo.
Pouco tempo depois, Jota ainda descobriu que tinha um câncer e logo começou um tratamento. Debilitado, frágil, sofrendo ainda a perda do amigo e esposa. Teve de ouvir do pai as mesmas palavras que você pronunciou, que dizem diariamente em Liturgia - Você está colhendo algo que plantou - "Está em pecado" dizia o pai, "Deus está tratando contigo", etc.
Pai este que se afastou ainda mais do filho para não se contaminar com seu suposto pecado.
Jota sofreu bastante com o tratamento que nunca teve efeito de fato, o câncer se espalhou e ele morreu aos 23 anos.
Morreu para os médicos, segundo o laudo do óbito. Morreu seu corpo frágil, esse mesmo que você e eu temos, que o tempo desgasta. Mas eu gosto de pensar que ele foi resgatado por Deus desse sofrimento e está agora mesmo junto a Ele. Conhecendo o amor de um Pai de verdade, numa intensidade de escala que jamais imaginaríamos existir. Que esse corpo frágil não suportaria.
Então, José... Eu te pergunto: O que fez ele de tão grave para ter tamanho sofrimento?

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Liturgia 2

- Mas isso não é errado?
- E por quê seria?
- Em Liturgia aprendemos que as relações de amor são entre homem e mulher; pais e filhos; e entre os irmãos de fé. Fora isso é errado.
- Em Liturgia! Mas você não está lá agora, está? Eu perguntei a você.
- Eu não sei ao certo. Não me parece natural que dois homens ou duas mulheres tenham uma relação de amor.
- O amor não segue regras, José. Para ser amor, é preciso ser livre.
- Mas as pessoas não vão para o inferno por isso?
- Inferno é onde não há alguém para amar! Você está morto quando perde a capacidade de amar e está condenado por isso.
Quando você permite amar sem regras, sem dogmas, você então ama de verdade.
Em Liturgia as pessoas vivem cegas em regras morais, em códigos de conduta legalistas, presos num sistema falido que não gera empatia entre os outros, apenas robotiza as pessoas em coisas que parece amor, parece liberdade, e não são. O amor é selvagem, José. Ele é bicho solto que corre livre entre as pessoas buscando vidas abertas para entrar e estabelecer morada. E ele precisa ser livre para entrar nessas vidas e transformá-las, moldá-las. Ele precisa esvaziar você de tudo o que te ensinaram errado, e quando não houver mais nada aí, então você será inundado de compaixão, de bondade, de empatia, de amor de verdade.
José olhava espantado enquanto seu avô continuava falando sobre amor de uma forma que ele jamais ouviu antes em Liturgia.
- Você aprendeu a amar pessoas que agem dentro de um determinado padrão aceitável em Liturgia. Agora você precisa amar ao próximo e deixar esse amor aos iguais de lado. Amor enlatado, engarrafado, enjaulado não é amor de verdade. Seja livre, ame na diversidade!
- O que é pecado então, vovô?
- José, eu peco quando eu destruo qualquer possibilidade de me relacionar com as pessoas. Eu peco quando segrego. Eu peco quando sou mau para mim e para os outros. Eu peco quando sou bom só para mim e não para os outros e também quando sou mau a mim e tento passar uma ideia de benevolente aos outros.
Tire a ideia de pecados catalogados da sua cabeça. No máximo, as pessoas pecam de forma diferente de você.

sábado, 28 de março de 2020

Evangelho ativo

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.  Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres?  Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade.   Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha;
Mateus 7:21‭-‬24 

Jesus está dizendo claramente que a maioria das coisas que se praticam dentro de um culto cristão não é parâmetro pra se definir quem verdadeiramente é ou não um cristão.
Nem todo aquele diz "senhor, senhor"...
Onde mais se usa esse termo?
Dentro dos templos, em cultos.
"Em teu nome profetizamos e expelimos demônios e muitos milagres fizemos também"
Onde mais se faz isso?
Dentro dos templos em cultos cristãos.
Apartai-vos de mim, os que praticam a iniquidade.

Jesus não reconhece tais atos como atos dignos de justiça diante dele, se tais atos não forem praticados no exercício da vida, no cotidiano, num mundo real. A vida cristã não se resume a isso.
O texto de Mateus é o final do sermão da montanha. A famosa síntese de Cristo sobre o evangelho do Reino de Deus.
Ele começa no cap 5 com as bem-aventuranças, situações facilmente aplicadas na vida.
Bem-aventurados os humildes; os que choram; os mansos; os famintos por justiça; os misericordiosos; os limpos de coração; os pacificadores; os perseguidos pela causa de Cristo.
Todas as situações acima são vividas diariamente em casa, no trabalho, na escola, na rua, no transporte público, na padaria, no supermercado, no elevador, etc.
Jesus ainda diz sobre amar aos inimigos e perseguidores, alertando que isso é um dever de todo aquele que se torna filho de Deus (Mt 5:45a).

Por séculos, a igreja tem resistido ao chamado ministerial de servir o Reino de Deus dessa forma. Os interesses pessoais tomaram conta dos cultos e já não há mais espaço para o serviço ao Reino.
As orações pelos perdidos, enfermos, presos, os solitários, os famintos, tem deixado lado pelos pedidos por um novo carro, uma promoção no trabalho, uma casa, uma viagem.
O hedonismo tomou o espaço do dever altruísta que era a chave do sucesso da igreja primitiva.
O hedonismo substituiu a "kenosis"; em outras palavras, o "esvaziamento" de si mesmo, de seus desejos, de suas vontades pra que o querer de Jesus inunda nosso coração
Até mesmo o famoso chamado apostolico descrito em Mateus 28:19 e 20 ("Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.") tem sido usurpado em seu sentido prático.
O verbo imperativo desse texto não é "ide", mas sim "fazei" e "ensinar".
Fazer discípulos e os ensinar a guardar a mensagem do Reino de Deus.
Nos ensinar que o evangelho precisa transcender os muros e portas de suas reuniões e se tornar ativo no seu dia a dia.

Uma mulher de 23 anos na universidade de Paris, escreveu certa vez em um de seus trabalhos acadêmicos o seguinte:
"Para mim, um cristão é ou um homem que vive em Cristo ou um impostor. Vocês cristãos não percebem que é com relação a isso - ao testemunho quase superficial que vocês dão de Deus - que nós os julgamos. Vocês deveriam irradiar Cristo. Sua fé deveria fluir para nós como um rio de vida. Deveriam nos contaminar com seu amor por ele. E assim, então, que Deus, que era impossível, se tornaria possível para o ateu e aqueles de nós cuja fé oscila. Não podemos evitar o choque, transtorno e a confusão que sentimos ao ver um cristão, que seja de fato, como Cristo. E não o perdoamos quando ele não é."

Essa mulher talvez não saiba, mas essa declaração revela o quanto a igreja tem se distanciado do exemplo da vida e obra de Jesus.
A igreja evita os perdidos, se tornou incapaz de andar com os necessitados, de amar ao próximo, ou como disse alguém certa vez "o cristão de agora não ama ao próximo, ama apenas seu semelhante"; não perdoam os inimigos. Todo tipo de gente inescrupulosa que Jesus visitou em suas casas, assentou em suas mesas e comeu com eles é exatamente os que hoje repudiam a Jesus. Mas por que? Porque não o conhecem de fato!
Não o encontram na face do cristão ocupado demais com seus próprios deleites.

Philip Yancey na apresentação de seu livro "Maravilhosa Graça" descreve um diálogo com uma prostituta onde ela cita o quão horrível é sua vida e o quanto ela se sente ruim, solitária, depressiva e quando confrontada com uma simples pergunta -Por que não procura ajuda em uma igreja? - Ela responde: Porque não quero que me façam sentir pior do que já estou!

A incapacidade de amar aos necessitados tem sido a principal fonte de derrota do evangelho.
Se tornou algo impossível para um cristão deixar seus juízos de lado e perdoar, amar.
Não preciso ressaltar que o maior de todos os mandamentos é amar ao próximo.
Ainda no sermão da montanha, Jesus alerta sobre amar até mesmo aqueles que nos odeiam, acrescentando: 

Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? Mateus 5:46

Não é de se espantar que cristãos por vezes esquecem desse princípio fundamental que é amar. Ainda no primeiro século da igreja, João precisou alertar isso aos cristãos em sua primeira carta:

Irmãos, não vos escrevo mandamento novo, mas o mandamento antigo, que desde o princípio tivestes. Este mandamento antigo é a palavra que desde o princípio ouvistes.
Outra vez vos escrevo um mandamento novo, que é verdadeiro nele e em vós; porque vão passando as trevas, e já a verdadeira luz ilumina.
Aquele que diz que está na luz, e odeia a seu irmão, até agora está em trevas.
Aquele que ama a seu irmão está na luz, e nele não há escândalo.
Mas aquele que odeia a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos. 1 João 2:7-11

João continua ensinando sobre os fundamentos desse amor genuíno e cristão, nascido no coração de Deus e manifesto em carne através de Jesus.

Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos.
Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele o amor de Deus?
Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade.
1 João 3:16-18

Quem não pratica o amor ao próximo, pratica apenas a iniquidade.
Em outras palavras, quem não vive o amor ao próximo, vive o amor a si mesmo.